Amamentação
Palestra no Hospital Santo Amaro – Guarujá (SP)
No dia 25 de março de 2011, fui convidada novamente para falar sobre os benefícios do sling pela Dra Mildred da Neoclínica, dentro do Curso de Gestantes. O curso aconteceu no hospital Santo Amaro, gratuitamente.
A oportunidade de falar sobre os slings, os benefícios do colo, desmistificando as questões de que “colo estraga”, “faz mal” e “causa dependência” é maravilhosa! Se pelo menos uma mamãe (ou papai) das mais de 50 pessoas presentes no curso ofertarem seu colo, toque e carinho para seu bebê com certeza minha missão está cumprida.
Durante a palestra, além de apresentar o conceito de babysling, faço questão de fazer uma viagem até os primórdios, demonstrando que o sling é mais do que um carregador de bebês e sim, um utensílio indispensável para muitas e muitas gerações que precisavam se locomover com suas crias e para isto usavam fibras de árvores e pele de animal para “slingar” seus bebês e de certa forma, devemos a ele a sobrevivência da nossa espécie. Afinal, existiríamos se nossos antepassados não nos carregassem juntos de si quando filhotes?
Apresento para as mães, pais e avós, o pediatra Dr. Carlos Gonzalez e alguns dos seus pensamentos sobre a relação do toque, carinho e atenção aos filhos. Para depois falar sobre todos os modelos, demonstrar o uso e particulariedades.
É um prazer falar sobre os slings e incentivar que as mamães encontrem seu modelo preferido e usem com seus bebês.
O Curso de Gestantes da Neoclínica é oferecido gratuitamente e fala sobre assuntos importantes que vão desde a fecundação, gestação, nascimento, amamentação, o banho do bebê, cuidados básicos, enxoval, acessórios e vacinação.
(Se eu tivesse feito um curso desse tipo, com certeza não teria passado por alguns sufocos nos primeiros meses!)
No mesmo dia, a Denise do Studio Biografia ofereceu as mães um pôster para guardarem de recordação da gravidez, a Sheila Santana, fisioterapeuta e parceira querida do Grupo Mamar, apresentou a Shantala para as mamães e o curso teve continuidade no dia 01 de abril com mais Shantala, palestra com obstetra e com a psicóloga Flávia Gutierrez.
Seguem fotos na galeria abaixo, clique para ampliar.
Aproveito para agradecer o convite da Dra Mildred e as mães e pais que participaram da palestra e tiraram suas dúvidas!
Muita saúde para os bebês que estão chegando!
abril de 2011.
Bruna
Desmame Natural (é possível?)
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
Elsa Regina Justo Giugliani*
*Pediatra, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, Especialista em Aleitamento Materno pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners)
O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais. Hoje, ao contrário do que ocorreu por pelo menos dois milhões de anos, ao longo da evolução da espécie humana, a mulher opta (ou não) pela amamentação e, influenciada por múltiplos fatores, decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar. Muitas vezes, as preferências culturais (não amamentação, introdução precoce de outros alimentos na dieta da criança, amamentação de curta duração) entram em conflito com a expectativa da espécie. Algumas conseqüências dessa divergência já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantis, sobretudo em áreas menos desenvolvidas. Porém, as conseqüências a longo prazo ainda não são totalmente conhecidas, já que transformações genéticas não ocorrem com a rapidez com que podem ocorrer mudanças de hábitos. Começam a ser mostradas evidências de que o não amamentar segundo as expectativas da espécie pode ter repercussões negativas ao longo da vida dos indivíduos. Assim, a não amamentação ou amamentação sub-ótima pode favorecer o aparecimento de doenças alérgicas, diversas doenças do sistema imunológico, alguns tipos de cânceres, obesidade, diabete e doenças cardiovasculares, além de interferir negativamente no desenvolvimento oro-facial. Provavelmente, com o aparecimento de novas pesquisas nessa área, outros males serão relacionados com os hábitos “modernos” de alimentação infantil, mas alguns aspectos dificilmente podem ser quantificados, especialmente os relacionados com a psique humana.
Atualmente, em especial nas sociedades ocidentais, a amamentação é vista primordialmente como uma forma de alimentar a criança, sob o controle total dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, complexo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, além de repercussões para a saúde física e psíquica da mãe. Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”. Essas palavras sábias podem ter pouco respaldo em sociedades individualistas, que tendem a acelerar o processo de independização do ser humano, substituindo o seio por métodos de auto-consolo como chupetas, paninhos, mantinhas, ursinhos, etc.
Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Apesar dessa recomendação, muito poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. As razões para a não amamentação prolongada variam desde dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até crença de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico. Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos. Pois, para a manutenção do paradigma que sustenta a afirmação de que amamentação prolongada não é natural, foi necessário criar vários mitos tais como o de que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança na criança, o que dificulta o processo de independização.
O desmame pode ser agrupado em quatro categorias básicas: abrupto, planejado ou gradual, parcial e natural. Sob a ótica de que o desmame é um processo de desenvolvimento da criança, parece razoável afirmar que o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal. No desmame natural a criança se auto-desmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como por exemplo em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui). A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. O Quadro 1 apresenta os sinais indicativos de que criança pode estar pronta para iniciar o desmame:
Quadro 1. Sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame
• Idade maior que um ano
• Menos interesse nas mamadas
• Aceita variedade de outros alimentos
• É segura na sua relação com a mãe
• Aceita outras formas de consolo
• Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais
• Às vezes dorme sem mamar no peito
• Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar
• Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar
É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta. Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias.
Algumas vantagens do desmame natural encontram-se no Quadro 2:
Quadro 2. Vantagens do desmame natural
• Transição tranqüila, menos estressante para a mãe e a criança
• Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame
• Fortalece a relação mãe-filho
• Ajuda a mãe a ser menos ansiosa com relação aos estágios de desenvolvimento de seu filho
O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.
Muitas vezes a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nesses casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo. O quadro 3 apresenta os fatores que facilitam o encorajamento do bebê para o desmame.
Quadro 3. Encorajando o bebê a desmamar: facilitadores
• Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar
• Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança
• Flexibilidade, pois o curso é imprevisível
• Paciência (dar tempo à criança) e compreensão
• Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período
• Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esficteres
• Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semanas.
A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras, chamando amiguinhos, entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A participação do pai no processo, sempre que possível, é importante. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar.
Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.
As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos tais como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.
Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”.
Confusão de Bicos Artifíciais, por Dr. Carlos Gonzalez
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
“Todo mundo sabe que quando os bebês se acostumam à mamadeira podem acabar deixando o peito. Muitas mães dizem: enjoou o peito. A explicação mais popular é que como a mamadeira é mais fácil, se tornam preguiçosos e não querem se esforçar com o peito.
Mas isso não é certo. A mamadeira não é mais fácil. Vários estudos, tanto em bebês prematuros como em bebês com graves deformações cardíacas, demostram que a frequência cardíaca e respiratória e o nível de oxigênio no sangue se mantem mais estáveis quando mamam no peito que quando tomam uma mamadeira. Os bebês nascem para mamar, seus músculos e reflexos estão especialmente desenhados para isso, enquanto que tomar uma mamadeira requer uma aprendizagem específica.
O problema não é que seja mais fácil ou mais difícil, se não que é diferente. O leite que há de ordenhar do peito, exceto as poucas gotas que saem só, e para isso a língua tem que empurrar ritmicamente até atrás. Além de ordenhar o leite, este movimento tende a introduzir o peito cada vez mais na boca, o que a sua vez permite ao bebê mamar melhor. Da mamadeira, ao contrário, o leite sai só, o bebê deve conseguir impedir que saia para poder engolir o que já tem na boca. Com a mamadeira, a língua se move ritmicamente até a frente. Este movimento tende a sacar a mamadeira fora da boca. Para impedir isso, todos os bicos artificiais do mundo se alargam na ponta, formando uma espécie de bola (para impedir que aqueles saiam da boca). Detrás dessa bola, o bico fica estreito, para que o bebê possa tomar a mamadeira com a boca quase fechada, se abrisse tanto a boca como para tomar o peito, de nada lhe serviria a bola, e a mamadeira se escaparia de uma forma ou de outra.
Alguns bebês maiores alternam sem nenhum problema peito e mamadeira (ou chupeta), fazem cada vez os movimentos precisos com a língua e com os lábios. Mas nas primeiras semanas são muitos os que se confundem, se tomam bem um e não aprendem com o outro. Durantes os primeiros dias, muitas mães dizem: todo o tempo está pedindo peito, mas não existe forma de que pegue a chupeta. (todo o tempo significa aqui antes de três horas) e muitas outras exclamam: não quer mamar e não entendo o que passa, porque todo o tempo está chupando a chupeta (e claro, a típica explicação: não quer o peito porque não sai nada, não é válida; nunca saiu nada de uma chupeta, e bem que a chupam).
A primeira vez que lhe dão uma mamadeira ao um recém-nascido (por exemplo, quando em meio de uma noite alguém decide lhe dar uma mamadeira para que não despertar a mãe), muitas vezes, o bebê não a quer. Aparte de que o leite sai raro e o bico também, e está duro e tem uma forma estranha, quando tentar mamar como se fosse o peito, o leite sai a tal velocidade que se engasga. O bebê expulsa o bico, cuspindo e chorando. Mas a enfermeira continua insistindo. A enfermeira carinhosa fala: “não é nada, esta menina tão esperta vai tomar o seu leitinho”, a enfermeira mal humorada fala: “visto que está bem de fazer palhaçada”, mas as duas insistem. Depois de uns segundos de angústia a bebê descobre que fazendo assim ou assado com a língua não se engasga. “Muito bem, vê que fácil? Fala uma enfermeira, “vê como era historia?” ,fala a outra.
Horas mais tarde, quando levam o recém-nascido com a sua mãe, penso o que mais tarde dirá cem vezes: “olha, mamãe, olha que sei fazer! Tenta fazer com o peito o que acaba de aprender com a mamadeira, empurrando com a língua. Surpresa e consternação, o peite sai da sua boca. Porque os peito não tem bola, todos os peitos do mundo acabam em ponta.
“ Me repeli o peito, chorando”, fala a atribulada mãe. Exausta depois do parto, em pleno furacão hormonal, presa da tristeza pós-parto (mais leve, mas muito mais frequente que a depressão), a mãe em realidade está dizendo: “me repeli o peito. Chorando”. Se sente rejeitada pelo próprio filho. É possível cair mais abaixo? “Não se preocupe” já se ajeitará, fala a enfermeira carinhosa. “Claro, porque você não tem leite”, fala a enfermeira mal humorada. Levam o bebê e lhe dão uma outra mamadeira. É o princípio do fim.
Alguns médicos insistem em que a confusão de bicos não existe, e em que dar uma ou várias mamadeiras ao recém-nascido não prejudica para nada a lactância materna. O certo é que não existem provas experimentais, porque para isso havia que dar-lhes mamadeiras a propósito a um grupo de bebês, escolhidos ao azar, para ver o que passa. Os que acreditam que isso não é mal, não se dão ao trabalho de fazer o estudo, os que acreditam que sim, que é mal, pensou que não seria ético fazer um estudo assim.
“Que mais dá que exista ou não exista?” Pensará o leitor, ante a dúvida, melhor não dar-lhe mamadeira e pronto. Pois parece que alguns dos que não acreditam na confusão recomendam dar-lhes a todos os bebês de peito uma mamadeira a cada semana, como mínimo, para que se acostumem. Porque se não, quando a mãe volte a trabalhar, ou qualquer outro motivo tenha que sair de casa, o bebê rechaçará a mamadeira. Vamos, que reconhecem que a confusão funciona ao menos em um sentido, e que o bebê que se acostuma ao peito logo rejeita a mamadeira.
Carlos González (2009). Comer, Amar, Amar. Madrid: Temasdehoy, p.288-291
Tradução: Sandra – Moderadora GVA
Idade Natural do Desmame
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
Por Katherine Dettwyler, PhD TRAD. Janaína de O. Ribeiro
Universidade do Texas A e M
Meu estudo se baseou nas diversas variáveis que se relacionam com a “história de vida” (tempo de gestação, peso ao nascer, taxa de crescimento, época em que acontece a maturidade sexual, idade de dentição, tempo de vida, etc.) em primatas não-humanos, e posteriormente observou-se como essas variáveis se correlacionam com a idade de desmame desses animais.
Trata-se dos nossos parentes mais próximos no reino animal, especialmente os gorilas e os chipanzés, que compartilham 98% dos genes humanos. Elaborei uma lista de previsões para quando os humanos efetuariam o desmame “natural” se não tivessem tantas normas culturais a esse respeito. Meu interesse surgiu a partir der uma leitura inter-cultural sobre a idade de desmame, que demonstra que diferentes culturas sustentam crenças bastante diversas sobre quando uma criança deve ser desmamada, desde muito cedo nos E.U.A. até muito tarde em alguns lugares.
É comum escutar que a idade média de desleitamento em todo mundo seja de 4.2 anos, porém este número não é nem exato, nem significativo. Um levantamento de 64 estudos “tradicionais” realizado antes dos anos 40 demonstrou uma duração média de amamentação de 2 anos e 8 meses, mas, com algumas culturas desmamando muito mais cedo, e outras bem mais tarde. É sem sentido, estatisticamente, falar de uma idade média de desaleitamento mundial, quando muitas crianças nem chegam a ser amamentadas, ou, suas mães desistem nos primeiros dias, ou, nas 6 semanas quando retornam ao trabalho. É verdade que ainda existem muitas sociedades onde as crianças são amamentadas rotineiramente até os quatro ou cinco anos, ou mais, e até mesmo nos Estados Unidos, algumas crianças são amamentadas por esse período, e algumas por períodos mais longos. Nas sociedades em que é permitido às crianças serem amamentadas no peito “até quando quiserem”, elas geralmente desmamam por si próprias, sem discussões ou traumas emocionais, entre os três e os quatro anos de idade. Esse interesse também surgiu da percepção que outros animais possuem uma idade “natural” de desmame, cerca de 8 semanas para os cachorros, de 8 a 12 meses para os cavalos, etc. Presume-se que esses animais não detenham crenças culturais sobre quando o desmame seria apropriado.
Alguns dos resultados são como segue:
1. Em um grupo de 21 espécies de primatas não-humanos (macacos e gorilas) estudados por Holly Smith, ela verificou que a prole era desleitada ao mesmo tempo em que apareciam seus primeiros molares permanentes. Nos humanos, isso aconteceria entre 5.5- 6 anos de idade.
2. É comum os pediatras afirmarem que a duração da gestação é aproximadamente igual à duração da amamentação em muitas espécies, sugerindo uma idade de desmame aos 9 meses para os humanos. No entanto, essa relação acaba por ser afetada pelo tamanho dos animais – quanto maiores os adultos, maior a duração da amamentação em relação à gestação. Para os chipanzés e os gorilas, os dois primatas mais próximos aos humanos em tamanho e na genética, a relação é seis para 1. Querendo dizer que elas amamentam sua prole por 6 vezes a duração da gestação ( de fato 6.1 para os chipanzés e 6.4 para os gorilas; com os humanos ficando na metade do caminho entre esses dois). Nos humanos, a relação seria: 4.5 anos de amamentação (seis vezes os nove meses da gestação).
3. É comum os pediatras afirmarem que a maioria dos mamíferos desmama sua prole quando esta atinge o triplo do seu peso de nascimento, sugerindo uma idade de desmame a 1 ano de idade nos humanos. Porém, novamente, essa conta é afetada pelo peso corporal, com mamíferos maiores amamentando sua prole até que esta tenha quadruplicado o peso com que nasceu. Nos humanos, o quádruplo do peso do nascimento é atingido aos 2.5 e 3.5 anos de idade, geralmente.
4. Um estudo dos primatas revelou que suas crias eram desmamadas quando atingiam cerca de 1/3 do seu peso na idade adulta. Isso acontece para os humanos entre os 5 e os 7 anos de idade.
5. Uma comparação entre a idade de desmame e a maturidade sexual em primatas não-humanos sugere uma idade de desmame entre os 6-7 para os humanos (por volta da metade do caminho para a maturidade reprodutiva).
6. Estudos demonstraram que o sistema imunológico de uma criança não completa sua maturidade até cerca dos 6 anos de idade, e é bem estabelecido que o leite materno ajuda a desenvolver o sistema imunológico e melhorá-lo com anticorpos maternos enquanto o leite materno for produzido (até os dois anos, nenhum estudo foi realizado sobre a composição do leite materno mais de dois anos após o parto).
Assim, a idade mínima esperada para o desmame natural nos humanos é de dois anos e meio, com um máximo de 7 anos.
Em termos dos benefícios da amamentação duradoura já existe um número de estudos comparando bebês amamentados no peito e bebês amamentados através de mamadeira com relação a diversas enfermidades, e também relacionando os resultados do exame de QI. Em todos os casos, os bebês amamentados no peito apresentaram um risco menor de doenças e resultados de QI superiores aos dos bebês amamentados por mamadeira. Naqueles estudos que classificavam bebês amamentados no peito pela duração da amamentação, os bebês que foram amamentados por mais tempo se sobressaíram tanto em termos de menor incidência de doenças, como apresentaram um resultado de QI superior. Em outras palavras, se as categorias fossem 0-6 meses de amamentação, 6-12 meses, 12-18 meses, 18-24+ meses, os últimos se saíram melhor, e as de 12-18 meses de amamentação foram os próximos melhores, e os bebês amamentados de 0-6 apresentaram os piores resultados entre os bebês amamentados no peito, mas, ainda se saíram muito melhor do que os grupos amamentados por mamadeira. Isto tem se demonstrado através de distúrbios gastrointestinais, afetação do sistema respiratório superior, escleroses múltiplas, diabetes, doenças do coração, e assim por diante. Da mesma forma, os bebês que foram amamentados no peito por mais tempo atingiram os melhores resultados nos exames de QI. Um ponto a se observar é que nenhum desses estudos foi realizado com crianças que tivessem sido amamentadas mais de 2 anos. Qualquer um amamentado entre 18-24 meses ou mais, foi aglomerado na grande categoria. Presume-se que os benefícios continuem a acontecer, já que o seu corpo não *sabe* que o bebê fez aniversário passando a produzir leite menos valioso nutricional e imunologicamente.
No entanto, ainda não foi comprovado nem que os benefícios da amamentação no peito continuam nem que cessam aos 2 anos de idade, por que os estudos apropriadas ainda não foram realizados. A tendência durante os primeiros dois anos é claramente que os benefícios aumentam quanto maior o tempo da amamentação. É evidente os benefícios do fenômeno de rendimento decrescente funcionando aqui – os primeiros seis meses de amamentação são claramente mais importantes em termos da nutrição e desenvolvimento do bebê do que os seis meses dos 3.5 aos 4 anos. Isso não significa que você não deve continuar a suprir leite materno se o seu bebê assim o quer e você também. Seria como dizer : – Bem Mabel, nós não recebemos mais tanto dinheiro daquele poço de petróleo. Antes eram R$ 56 por mês dos royalities , agora com sorte recebemos R$ 25 por ano. Acho que deveríamos dizer a eles para guardarem seu maldito dinheiro. E Mabel responde:- Santa Misericórdia, Clyde, não seja ridículo. Aquele cheque ainda compra R$ 25 de comida. Onde você está com a cabeça?
Sem dúvida, os bebês nascidos nos E.U.A não estão sujeitos a tantas doenças, parasitas, e água contaminada quanto os bebês dos países do Terceiro Mundo. Nós temos mais suplementos alimentares que de modo geral podemos confiar que sejam limpos e seguros. Podemos imunizar nossas crianças, e utilizar antibióticos para infecções, se necessário. O fato de nós *podermos* não significa que a amamentação seja insignificante. Bebês amamentados no peito ainda apresentam melhor saúde do que os amamentados por mamadeira, mesmo em ambientes exemplarmente limpos e com o melhor atendimento médico. Eles adoecem menos, são mais inteligentes, são mais felizes. Outra consideração importante para as crianças mais velhas, é que elas conseguem manter seu vínculo emocional ligado a outra pessoa, em vez de transferir a ligação para um objeto inanimado, como um ursinho ou um cobertor.
Acredito que este fato proporcione o cenário para uma vida orientada para pessoas, em vez do materialismo, e considero esse fator positivo. Também não consigo imaginar passar pelos primeiros anos de vida de uma criança sem aquela conexão amorosa à criança enquanto essa passa por enormes transformações, algumas até frustrantes. Eu poderia prosseguir indefinidamente, mas pararei aqui.
Espero que tenha contribuído com esse estudo. Essas idéias são desenvolvidas de maneira muito mais eloqüente e com maior riqueza de detalhes no meu capítulo “Tempo de Desmamar” no livro Breastfeeding: Biocultural Perspectives, sendo publicado por Aldine de Grutyer.
Preparado no dia 3 de agosto de 1995. Editado no dia 10 de fevereiro de 1997.
fonte: http://www.slingando.com
Amamentação e Alimentação, aprenda a conciliar!
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
O facto de ter dado à luz não significa que não deva continuar a cuidar da sua alimentação. Para além disso, se está a dar peito ao bebé é muito importante que preste atenção ao que come pois poderá estar a afectar o desenvolvimento e crescimento do seu filho.
Dar peito ajuda a recuperar mais facilmente o peso que tinha antes da gravidez: a amamentação queima calorias já que a gordura armazenada no corpo durante a gravidez se converte em energia para produzir leite e, assim, ajuda o útero a “encolher” depois do parto, de modo que as mães que amamentam os seus bebés recuperam a forma e perdem peso mais depressa. Pelo que, embora não esteja a dar peito ao seu bebé, é importante que siga uma dieta saudável que ajude a que o seu corpo recupere da gravidez e se reponha do esforço que fez. Não precisará de privar-se de certos alimentos que podem prejudicar o bebé quando amamenta (como o café ou o álcool), mas deve sim seguir uma alimentação saudável para voltar a ter a figura que tinha antes.
Para além disso, o seu filho estará a comer junto a vocês mais rápido do que pensa e se os seus hábitos alimentares são bons, terá mais probabilidades de que siga o seu exemplo e que adquira, desde muito cedo, bons costumes com a sua dieta.
Geralmente ao dar peito o seu apetite aumenta, mas não caia no mito de comer por dois. A sua alimentação durante a amamentação deve ser similar à de qualquer outro momento da sua vida. Amamentar o seu filho irá ainda ajudá-la a perder peso. Não espere que os quilos desapareçam por magia com uma dieta à base de bolos de manteiga e de batatas fritas. O bom é que muitos alimentos proibidos na gestação voltam a fazer parte da sua dieta.
No seu menu não deve faltar …
Frutas e verduras: Coma pelo menos 5 rações de frutas e/ou verduras.
Fibra: Consuma alimentos ricos em fibra como pão integral, cereais integrais, legumes, frutas e todos aqueles alimentos enriquecidos com fibra. As fibras são especialmente recomendadas depois do parto, quando a obstipação se converte num problema habitual.
Hidratos de carbono: Deverá aumentar as quantidades de alimentos como o pão, as massas, o arroz ou as batatas para o aporte de energia extra que precisa em vez de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas.
Proteínas: As necessidades proteicas devem ser o dobro que em condições normais. Uma grande parte deve ser de origem animal. Dê preferência às carnes pouco gordas, aves, peixe branco e azul, ovos, leite e outros derivados pouco gordos.
Peixe: Coma pelo menos duas rações por semana, incluindo uma de peixe azul, rico em ácidos gordos ómega 3. Ao comer uma ou duas rações de peixe azul por semana, aumenta os níveis de ómega 3 no seu leite, o que, segundo vários estudos, pode ter efeitos benéficos no desenvolvimento do cérebro e dos olhos do seu bebé.
Produtos lácteos: São a principal fonte de cálcio, componente indispensável do leite. É fundamental para a produção do mesmo. Para além disso, durante o parto terá menos do que o normal. Procure tomar pelo menos 3 copos de leite diários, ou 3 copos de leite e outros produtos lácteos como iogurtes, queijos, doces lácteos, queijadas, cremes elaborados com leite, etc.
Líquidos: Deverá beber pelo menos um litro e meio por dia, isto é, cerca de 6 a 8 copos seja de água ou de sumos naturais. O leite materno contém cerca de 80 a 90% de água que terá de repor.
Ferro: O bebé precisará, durante a última etapa da gravidez, de grandes quantidades deste mineral que estão nas suas reservas. Depois de dar à luz, possivelmente os seus níveis estabilizam. Entre os alimentos que aportam ferro estão as ameixas, os cereais integrais, o fígado, os legumes, as verduras de folha verde, como os espinafres, e as carnes vermelhas.
Conselhos para comer bem e perder o peso ganho
Muitas recém estreadas mamãs sentem uma pressão enorme por perder peso depois da gravidez. No entanto, fazer uma dieta restritiva neste período não é muito aconselhável sem consultar o seu médico antes. Perder peso rapidamente fará com que se sinta sem energia num momento no qual precisará dela mais do que nunca e que pode significar que tanto você como o seu bebé percam nutrientes essenciais na gravidez. A quantidade de calorias adicionais requeridas dependerá do peso que ganhou durante a gravidez. Se tem uns quilos a mais o recomendável é emagrecer a pouco e pouco, limitando a ingestão de alimentos ricos em açúcares e gorduras. Se seguir uma alimentação muito baixa em calorias, a produção de leite pode ser afectada.
Os especialistas asseguram que ao perder 250 a 500 gramas por semana, comendo de forma equilibrada e com exercício regular a produção de leite não será afectada, nem tão pouco o peso do seu filho. Se está magra deve assegurar-se de que adquire essa energia extra, mas sempre levando uma alimentação equilibrada e refeições regulares. Rapidamente notará as alterações.
Deixamos-lhe aqui uma ajuda em forma de conselhos para que não caia em tentação:
- Recorra a temperos saudáveis. Tenha sempre à mão snacks ligeiros para evitar recorrer à caixa de bolachas ou ao pacote de batatas fritas quando tem fome. Uma boa opção é os frutos secos, o queijo fresco em pacotinhos, as barritas de cereais, a fruta, etc.
- Quando estiver a dar peito tenha sempre perto de si um copo com água.
- Fuja da comida preparada industrialmente. Se não tiver tempo para cozinhar, compre verduras congeladas. São cómodas e fáceis de preparar, poupará tempo e pode encontrá-las no mercado todo o ano. Mantêm as suas propriedades nutritivas e, para além disso, já estão limpas, cortadas e prontas a cozinhar. Com as saladas já preparadas e embolsadas também ganhará uns minutos.
- Aproveite as horas nas quais o bebé está a dormir para fazer comida em grandes quantidades. Depois congele em rações individuais.
- Faça compras online.
- Muitas vezes o que a leva ao frigorífico não é a fome mas sim o aborrecimento, o sono, o cansaço … Faça um pouco de exercício, saia para passear ou peça ajuda se for necessário.
- Se lhe quiserem oferecer prendas, peça cestas de fruta em vez de caixas de bombons.
Algumas ideias de comida rápida e temperos saudáveis para mamãs sem tempo:
- Cremes de verdura. São fáceis e rápidas de preparar.
- Cereais com iogurte e bocados de fruta.
- As frutas são saudáveis e muito fáceis de comer se estiver ocupada. Uma banana, uma maçã, um pêssego … Descasque e corte várias frutas para guardar no taça no frigorifico. Quando tiver fome já terá a fruta pronta para comer. Outra opção são os frutos secos, como as passas, os figos secos ou as fresas desidratas como alternativa a outros doces industriais.
- Sandes vegetarianas.
- Saladas de arroz.
- Sandes de frango grelhado.
- Tostas com tomate e …. o que quiser! Queijo, atum, fiambre, carne, verduras, etc.
- Saladas de fruta, de frutos secos, de queijo fresco, etc.
- Ovos mexidos.
O que evitar
Embora não exista nenhum alimento totalmente proibido durante a amamentação, deverá limitar o consumo de alguns deles. Como o peixe azul, por exemplo. Não coma mais de duas rações por semana. Tão pouco abuse da cafeína nem do álcool, já que passam para o bebé pelo leite materno. Para além disso, demonstrou-se que este último pode interferir na produção do leite. O álcool alcança o seu nível máximo no leite entre os 30 minutos a uma hora depois de ter bebido e elimina-se ao mesmo ritmo que do sangue, aproximadamente umas duas horas por unidade, embora isto varia em função do peso e da quantidade ingerida. Se está a planear sair à noite para beber álcool, extraia o leite antes de começar a beber, em quantidade suficiente para que dure até que o álcool se tenha eliminado totalmente do seu corpo.
Preste atenção aos amendoins. Se existirem antecedentes de alergias na família, evite comer amendoins e estará a reduzir as possibilidades de que o bebé desenvolva a alergia.
Em algumas ocasiões aconselha-se não comer certos alimentos que alterem o sabor do leite, como o alho, o picante, os citrinos … Na realidade não são prejudiciais para o bebé. Alguns bebés podem recusar o leite pelo sabor, já outros podem gostar do sabor. Tenha em atenção as reacções do seu bebé e, dessa forma, e elimine aqueles que não forem do agrado do seu bebé.
Postado Originalmente em: Todo Papas
Livre Demanda – o que é realmente – Dr. Carlos Gonzalez
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
um resumo do capítulo A Frequência e a Duração das Mamadas, do livro Un Regalo Para Toda La Vida, do dr. Carlos González.
Provavelmente, você já escutou que o peito se dá a demanda. Mas é fácil que lhe tenham explicado mal. É muito difícil erradicar da nossa cultura essa obsessão coletiva com os horários das mamadas. Parece que sempre foi assim. Alguns, ao ouvir falar da livre demanda, acham que é um invento dos hippies e com semelhante despropósito vamos criar uma geração de selvagens indisciplinados. Mas é justo o contrário, dar o peito à demanda é que sempre foi assim e os horários são uma invenção moderna. É verdade que algum médico romano já havia falado de horários, mas foi um caso isolado e naquele tempo as mães não perguntavam aos médicos como tinham que dar o peito. Praticamente todos os médicos do séc.XVIII recomendavam a amamentação a demanda (ou não recomendavam nada, porque, como a amamentação não é uma doença, os médicos não se ocupavam muito desse tema). Só a princípios do séc.XX começaram quase todos os médicos a recomendar um horário e mesmo assim poucas mães o seguiam, porque não havia saúde pública e os pobres não iam ao médico se não estivessem muito doentes. Só quando as visitas ao pediatras começaram a converter-se numa cerimônia regular, em meados do século passado, começaram as mães a tentar seguir um horário, com péssimos resultados.
Muita gente(mães, familiares, médicos ou enfermeiras) lê ou ouve isso de livre demanda e pensa: “Sim, claro, não é necessário ser rígidos com as três horas. Se chora 15 min. antes, pode-se dar o peito e também não é necessário acordá-lo se está dormindo”. Ou então: “Sim, claro, a demanda, como sempre disse, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde que quatro”. Tudo isso não é a demanda; são só horários flexíveis, que claro que não são tão ruins como os horários rígidos, mas continuam causando problemas. Livre demanda significa em qualquer momento, sem olhar o relógio, sem pensar no tempo, tanto se o bebê mamou faz 5 horas quanto se mamou faz 5 minutos.
Mas, como pode ter fome aos cinco minutos? Imagine que está criando o seu filho com mamadeira. Ele costuma tomar 150ml e, de repente, um dia, o bebê só toma 70 ml. Se aos cinco minutos, parece que tem fome, você dá os 80 ml ou pensa: “Como pode ter fome se faz só cinco minutos que tomou a mamadeira?”. Tenho certeza que todas as mães dariam a mamadeira sem duvidar um único minuto, de fato, muitas passariam mais de uma hora tentando meter a mamadeira na boca do bebê a cada cinco minutos. Pois bem, se um bebê solta o peito e ao cabo de cinco minutos parece ter fome, pode ser que só tenha mamado a metade. Talvez tenha engolido ar e se sentia incômodo e agora que arrotou já pode continuar mamando. Talvez tenha se distraído ao ver uma mosca e agora a mosca já se foi e ele percebeu que ainda tem fome. Talvez tanha se enganado, achou que estava satisfeito e agora mudou de opinião. Em todo caso, só esse bebê, nesse momento, pode decidir se precisa mamar ou não. Um especialista que escreveu um livro na sua casa no ano passado ou faz um século, ou a pediatra que viu o bebê na quinta passada e lhe recomendou um horário não podem saber que seu filho hoje, às 14:45 da tarde ia ter fome. Isso seria atribuir-lhes poderes sobrenaturais.
E qual o tempo máximo? É preciso acordá-los? Quantas horas podem estar sem mamar? Em princípio, as horas que queira. Um bebê saudável, que engorda normalmente, não precisa ser acordado. É distinto o caso de um bebê que está doente ou não aumenta normalmente de peso. Um bebê pode estar tão fraco que não tem força para pedir o peito. Nesses casos, é preciso oferecer o peito com mais frequência. Isso também pode aplicar-se aos recém-nascidos.
Quando o bebê dorme muito, muitas vezes não é preciso acordá-lo, mas sim estar atento aos seus sinais de fome. A demanda não significa dar o peito cada vez que chore. O choro é um sinal tardio de fome. Do momento que uma criança maior tenha fome até que chore podem passar várias horas. Do momento que um bebè tem fome até que chore podem passar alguns minutos, ou até mais, dependendo da personalidade do bebê. Mas é raro, que nada mais ter fome, comece a chorar. Antes disso terá mostrado sinais precoces de fome: uma mudança no nível de atividade (acordar, mexer-se), movimentos com a boca, movimentos de procura com a cabeça, barulhinhos, por as mãozinhas na boca…então, é quando se deve pô-lo no peito, não esperar que chorem. Se um bebê que está fraco porque perdeu peso está sozinho no seu quarto, fora da vista dos seus pais, é provável que dê estes sinais e ninguém perceba e ele volte a dormir por cansaço.
Dar o peito à demanda não significa que mame o que mame o bebê, sempre seja normal. Pois bem, também existem valores normais para a frequência e a duração das mamadas. O problema é que não sabemos quais os valores normais para o ser humanos. Porque o ser humano vive em sociedades, em civilizações, com nossas crenças e normas. As espanholas, há trinta anos, davam o peito dez minutos cada quatro horas. Não faziam o que queriam, o normal, mas sim o que havia indicado o médico ou o livro. Se no Alto Orinoco existe uma tribo que dá o peito cinco minutos a cada hora e meia, isso é o natural ou é o que recomenda o xamã da tribo?
Inclusive dentro da Europa há diferenças. Num estudo multinacional sobre crescimento dos bebês, observaram com surpresa que o número médio de mamadas ao dia aos dois meses de idade ia desde 5,7 em Rostock (Alemanha) até 8,5 no Porto, passando por 6,5 em Madrid ou 7,2 em Barcelona. Mulheres de cultura muito similar, que supostamente estão dando o peito à demanda. Como é possível que os bebês demandem mais peito num país que no outro?
A resposta é simples, mas inquietante. Acontece que a amamentação a demanda, o conceito em torno do qual gira esse livro não existe. Não existe porque os bebês não sabem falar. Se um bebê falasse, um observador imparcial poderia certificar: “Efetivamente, essa mãe está dando o peito à demanda”, porque às 11:23 a menina disse: “Mamãe, peito” e às 11:41 voltou a pedir, mas não lhe deu o peito até que pediu por terceira vez, às 11:57. Como os bebês não falam, fica a critério da mãe decidir quando está demandando ou não. Dois bebès choram, uma mãe lhe dá o peito no mesmo instante e a outra olha o relógio e diz: “Fome não é, porque não faz nem uma hora e meia que mamou, devem ser os dentes” e lhe dá um mordedor. Dois bebês mexem a cabecinha e a boca procurando peito. Uma mãe dá o peito, a outra nem percebe porque o bebê estava no berço e a mãe não o via. Dois bebês dizem: “angu”. Uma mãe pensa: “Ui, já acordou” e o põe no peito e a outra o olha embevecida e diz: “que lindo, já diz angu!”.
Por último, recordar que à demanda não só significa quando o bebê quer, mas também quando a mãe quer. É claro que as necessidades de um recém-nascido são totalmente prioritárias. Mas, à medida que o bebê cresce, cada vez sua mãe tem mais possibilidades de decidir quando dá o peito ou não. Vale ressaltar que um horário rígido é inadequado em qualquer idade e sempre convém que o bebê decida a maioria das mamadas. Mas não há problemas em adiantar ou atrasar um pouco alguma das mamadas.
Assim que, ao contrário do que muita gente pensa, a livre demanda não é uma escravidão, mas sim uma liberação para a mãe. A maioria das vezes pode fazer o que quer o seu filho, de modo que o bebê está feliz e não chora e portanto, a mãe também está feliz e não chora. E de vez em quando pode fazer o que ela quer. A escravidão é o relógio.
Evite fissuras mamárias
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
As fissuras mamárias, ocasionadas na amamentação, geralmente são provocadas pela posição incorreta do bebê em relação à mama, pela quantidade e duração das mamadas e principalmente pela sucção realizada de forma inadequada.
Para fortalecer as mamas e evitar o surgimento de rachaduras, alguns cuidados simples são essenciais:
- A posição para amamentar deve ser a mais confortável possível. É importante a escolha de um local agradável que propicie mais conforto e tranquilidade para a mamãe e o bebê. Leia mais sobre posições de amamentação neste artigo.
- Nos primeiros dias após o parto, as mamas normalmente ficam mais pesadas, ligeiramente mais quentes e sensíveis. Essa sensação poderá ser amenizada com massagens diárias para evitar o acúmulo de leite produzido;
- Em algumas mulheres, as mamas produzem uma quantidade de leite maior do que a quantidade que a criança necessita para se alimentar. Assim, o leite que produzido em excesso poderá ser retirado com o auxílio de bombas ou manualmente;
- Após amamentar, recomenda-se proteger os bicos com conchas plásticas (vendidas em farmácias e supermercados), evitando o contato direto da pele com o tecido das roupas e lingeries.
- Tomar banhos de sol nas mamas, por aproximadamente 15 minutos por dia, antes das 10 horas e após às 16 horas;
- Usar diariamente sutiãs que sejam constituídos de bons tecidos, e que promovam uma boa sustentação;
- Caso necessitar interromper a mamada por algum motivo, utilize a técnica de inserir o dedo mínimo no canto da boca do bebê e espere a entrada do ar para a perda do vácuo, possibilitando o movimento;
- Recomenda-se evitar a retirada brusca do bebê da mama, evitando traumas nos mamilos.
Pensando em amenizar o problema da fissura mamária, que afeta muitas mulheres durante o período da amamentação, o Aché Laboratórios desenvolveu o Millar, produto à base de lanolina anidra pura, que além de melhorar a condição dos mamilos, favorece a regeneração natural da pele, deixando-a mais nutrida e fortalecida.
Texto de: Millar – Hidrata
A importância do afeto – DÊ colo e carinho ao seu bebê
Esse bloco do Globo Repórter está muito bom! E emocionante (chorei até!…)
Fala sobre a importância do afeto, de que todos precisamos e devemos receber colo (se nós adultos, precisamos de vez enquando do colinho, imagina nossos bebês?). Fala também dá importância das mães-cangurus, que ficam boa parte do dia com seus bebês prematuros coladinhos ao seu corpo, dando-lhe calor e muito, muito carinho.
Fica a dica!
1º Caminhada Bemvindo
Fonte: Matrice





