Tudo sobre alimentação
Amamentação e Alimentação, aprenda a conciliar!
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
O facto de ter dado à luz não significa que não deva continuar a cuidar da sua alimentação. Para além disso, se está a dar peito ao bebé é muito importante que preste atenção ao que come pois poderá estar a afectar o desenvolvimento e crescimento do seu filho.
Dar peito ajuda a recuperar mais facilmente o peso que tinha antes da gravidez: a amamentação queima calorias já que a gordura armazenada no corpo durante a gravidez se converte em energia para produzir leite e, assim, ajuda o útero a “encolher” depois do parto, de modo que as mães que amamentam os seus bebés recuperam a forma e perdem peso mais depressa. Pelo que, embora não esteja a dar peito ao seu bebé, é importante que siga uma dieta saudável que ajude a que o seu corpo recupere da gravidez e se reponha do esforço que fez. Não precisará de privar-se de certos alimentos que podem prejudicar o bebé quando amamenta (como o café ou o álcool), mas deve sim seguir uma alimentação saudável para voltar a ter a figura que tinha antes.
Para além disso, o seu filho estará a comer junto a vocês mais rápido do que pensa e se os seus hábitos alimentares são bons, terá mais probabilidades de que siga o seu exemplo e que adquira, desde muito cedo, bons costumes com a sua dieta.
Geralmente ao dar peito o seu apetite aumenta, mas não caia no mito de comer por dois. A sua alimentação durante a amamentação deve ser similar à de qualquer outro momento da sua vida. Amamentar o seu filho irá ainda ajudá-la a perder peso. Não espere que os quilos desapareçam por magia com uma dieta à base de bolos de manteiga e de batatas fritas. O bom é que muitos alimentos proibidos na gestação voltam a fazer parte da sua dieta.
No seu menu não deve faltar …
Frutas e verduras: Coma pelo menos 5 rações de frutas e/ou verduras.
Fibra: Consuma alimentos ricos em fibra como pão integral, cereais integrais, legumes, frutas e todos aqueles alimentos enriquecidos com fibra. As fibras são especialmente recomendadas depois do parto, quando a obstipação se converte num problema habitual.
Hidratos de carbono: Deverá aumentar as quantidades de alimentos como o pão, as massas, o arroz ou as batatas para o aporte de energia extra que precisa em vez de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas.
Proteínas: As necessidades proteicas devem ser o dobro que em condições normais. Uma grande parte deve ser de origem animal. Dê preferência às carnes pouco gordas, aves, peixe branco e azul, ovos, leite e outros derivados pouco gordos.
Peixe: Coma pelo menos duas rações por semana, incluindo uma de peixe azul, rico em ácidos gordos ómega 3. Ao comer uma ou duas rações de peixe azul por semana, aumenta os níveis de ómega 3 no seu leite, o que, segundo vários estudos, pode ter efeitos benéficos no desenvolvimento do cérebro e dos olhos do seu bebé.
Produtos lácteos: São a principal fonte de cálcio, componente indispensável do leite. É fundamental para a produção do mesmo. Para além disso, durante o parto terá menos do que o normal. Procure tomar pelo menos 3 copos de leite diários, ou 3 copos de leite e outros produtos lácteos como iogurtes, queijos, doces lácteos, queijadas, cremes elaborados com leite, etc.
Líquidos: Deverá beber pelo menos um litro e meio por dia, isto é, cerca de 6 a 8 copos seja de água ou de sumos naturais. O leite materno contém cerca de 80 a 90% de água que terá de repor.
Ferro: O bebé precisará, durante a última etapa da gravidez, de grandes quantidades deste mineral que estão nas suas reservas. Depois de dar à luz, possivelmente os seus níveis estabilizam. Entre os alimentos que aportam ferro estão as ameixas, os cereais integrais, o fígado, os legumes, as verduras de folha verde, como os espinafres, e as carnes vermelhas.
Conselhos para comer bem e perder o peso ganho
Muitas recém estreadas mamãs sentem uma pressão enorme por perder peso depois da gravidez. No entanto, fazer uma dieta restritiva neste período não é muito aconselhável sem consultar o seu médico antes. Perder peso rapidamente fará com que se sinta sem energia num momento no qual precisará dela mais do que nunca e que pode significar que tanto você como o seu bebé percam nutrientes essenciais na gravidez. A quantidade de calorias adicionais requeridas dependerá do peso que ganhou durante a gravidez. Se tem uns quilos a mais o recomendável é emagrecer a pouco e pouco, limitando a ingestão de alimentos ricos em açúcares e gorduras. Se seguir uma alimentação muito baixa em calorias, a produção de leite pode ser afectada.
Os especialistas asseguram que ao perder 250 a 500 gramas por semana, comendo de forma equilibrada e com exercício regular a produção de leite não será afectada, nem tão pouco o peso do seu filho. Se está magra deve assegurar-se de que adquire essa energia extra, mas sempre levando uma alimentação equilibrada e refeições regulares. Rapidamente notará as alterações.
Deixamos-lhe aqui uma ajuda em forma de conselhos para que não caia em tentação:
- Recorra a temperos saudáveis. Tenha sempre à mão snacks ligeiros para evitar recorrer à caixa de bolachas ou ao pacote de batatas fritas quando tem fome. Uma boa opção é os frutos secos, o queijo fresco em pacotinhos, as barritas de cereais, a fruta, etc.
- Quando estiver a dar peito tenha sempre perto de si um copo com água.
- Fuja da comida preparada industrialmente. Se não tiver tempo para cozinhar, compre verduras congeladas. São cómodas e fáceis de preparar, poupará tempo e pode encontrá-las no mercado todo o ano. Mantêm as suas propriedades nutritivas e, para além disso, já estão limpas, cortadas e prontas a cozinhar. Com as saladas já preparadas e embolsadas também ganhará uns minutos.
- Aproveite as horas nas quais o bebé está a dormir para fazer comida em grandes quantidades. Depois congele em rações individuais.
- Faça compras online.
- Muitas vezes o que a leva ao frigorífico não é a fome mas sim o aborrecimento, o sono, o cansaço … Faça um pouco de exercício, saia para passear ou peça ajuda se for necessário.
- Se lhe quiserem oferecer prendas, peça cestas de fruta em vez de caixas de bombons.
Algumas ideias de comida rápida e temperos saudáveis para mamãs sem tempo:
- Cremes de verdura. São fáceis e rápidas de preparar.
- Cereais com iogurte e bocados de fruta.
- As frutas são saudáveis e muito fáceis de comer se estiver ocupada. Uma banana, uma maçã, um pêssego … Descasque e corte várias frutas para guardar no taça no frigorifico. Quando tiver fome já terá a fruta pronta para comer. Outra opção são os frutos secos, como as passas, os figos secos ou as fresas desidratas como alternativa a outros doces industriais.
- Sandes vegetarianas.
- Saladas de arroz.
- Sandes de frango grelhado.
- Tostas com tomate e …. o que quiser! Queijo, atum, fiambre, carne, verduras, etc.
- Saladas de fruta, de frutos secos, de queijo fresco, etc.
- Ovos mexidos.
O que evitar
Embora não exista nenhum alimento totalmente proibido durante a amamentação, deverá limitar o consumo de alguns deles. Como o peixe azul, por exemplo. Não coma mais de duas rações por semana. Tão pouco abuse da cafeína nem do álcool, já que passam para o bebé pelo leite materno. Para além disso, demonstrou-se que este último pode interferir na produção do leite. O álcool alcança o seu nível máximo no leite entre os 30 minutos a uma hora depois de ter bebido e elimina-se ao mesmo ritmo que do sangue, aproximadamente umas duas horas por unidade, embora isto varia em função do peso e da quantidade ingerida. Se está a planear sair à noite para beber álcool, extraia o leite antes de começar a beber, em quantidade suficiente para que dure até que o álcool se tenha eliminado totalmente do seu corpo.
Preste atenção aos amendoins. Se existirem antecedentes de alergias na família, evite comer amendoins e estará a reduzir as possibilidades de que o bebé desenvolva a alergia.
Em algumas ocasiões aconselha-se não comer certos alimentos que alterem o sabor do leite, como o alho, o picante, os citrinos … Na realidade não são prejudiciais para o bebé. Alguns bebés podem recusar o leite pelo sabor, já outros podem gostar do sabor. Tenha em atenção as reacções do seu bebé e, dessa forma, e elimine aqueles que não forem do agrado do seu bebé.
Postado Originalmente em: Todo Papas
Mitos Obstétricos
Por Bruna Leite Santana - Blog, Parto
Muitas de minhas clientes me procuram tristes e indignadas depois de ter a experiência traumática do primeiro parto tratado agressivamente, e, ainda assim, com a esperança de que o que elas acreditam ser uma das experiências mais bonitas de suas vidas ainda seja possível na próxima gravidez. Sentiam-se não ouvidas, desrespeitadas, intimidadas, com uma mistura de confiança abalada e determinação crescente.
Obstetras são cirurgiões treinados; eles querem FAZER algo mais do que esperar ou que a mãe o faça. Eles não estão dispostos a ver mulheres como especialistas em gravidez nem têm tempo ou paciência para sentar ao seu lado enquanto seu trabalho de parto progride. A maioria nunca viu um parto natural. Apesar da intenção de fazer o bem pelos seus pacientes, eles acreditam que o processo natural de gestação e parto são intrinsecamente problemáticos e intervenções irão ajudar. Para muito obstetras, um bebê e uma mãe vivos definem um resultado positivo.
Os seguintes mitos e o que sabemos que é realmente verdade devem ajudá-lo a separar crenças de fatos, práticas ultrapassadas do que é necessário.
Mito: Um bebê grande que não consegue se encaixar na pelve da mãe, só irá aumentar de tamanho quanto mais a gestação dura, e é uma razão válida para induzir o parto.
O que sabemos: Primeiro, o parto não é uma questão de física, é um processo no contexto de uma relação. A pelve da mulher é uma estrutura flexível que se estende para permitir a passagem do bebê. Esse processo é auxiliado pelos movimentos maternos durante o trabalho de parto e durante a fase de expulsão. Os hormônios do final da gestação amolecem o tecido conjuntivo que segura osso com osso, aumentando assim a elasticidade da pelve. A desproporção céfalo-pélvica verdadeira é extremamente rara. O termo é muitas vezes usado como desculpa para a impaciência ou a explicação de nenhum progresso quando a mãe é medicada em suas costas para dar a luz. Não é justo dizer a uma mulher que sua pelve é inadequada para dar a luz a seu filho baseando-se em exames de raios-X ou ultra-som. As estimativas de peso de um feto em um exame de ultra-som podem errar meio-quilo para mais ou para menos. A cabeça do bebê é desenhada para ser moldada, os ossos se sobrepõem e se alongam para acomodar-se à pelve da mãe. Eu vi bebês muito grandes saírem de mães muito pequenas! Uma de minhas clientes que pesava 42.3 kg quando concebeu e 60.5 kg ao final, deu a luz a um menino de 4.3 kg em poucas horas; Outra mãe sadia de primeira viagem deu a luz a um bebê de quase 5.4 kg, para nosso espanto. Um bebê grande não é uma razão válida para induzir o parto.
Mito: Durante a gestação, a mulher deve limitar seu aumento de peso a 11.4 kg. Isso permitirá um parto mais fácil; previne a toxemia; na verdade, não importa o que você come durante a gravidez porque o bebê tomará o que precisa de seu corpo; e, o aumento de peso é mais determinado pela hereditariedade.
O que sabemos: É verdade que restringir o aumento de peso na gravidez resulta em bebês menores. No entanto, a idéia de que um bebê menor facilita o parto não correlaciona a privação nutricional às dietas de muito baixas calorias. Com uma nutrição inadequada durante a gestação, a mãe pode não ter resistência e força para o parto. Toxemia é uma das complicações mais perigosas durante a gravidez. Hoje em dia se sabe que a causa é metabólica, ou seja, a falta de nutrientes essenciais na gestação, principalmente, de proteínas. A falta desses nutrientes resulta em um mau funcionamento do fígado. Nos dois últimos meses de gestação, o bebê tem um surto de crescimento. Esse é o momento em que a mulher reduz o consumo de comida e do sal para ficar dentro do limite de peso receitado pelo médico. Essa fase crítica do desenvolvimento do bebê, especialmente do seu cérebro, pode ser seriamente comprometida pela nutrição e ingestão de calorias inadequadas pela mãe. A falta de 1/3 das calorias necessárias resulta em metade das proteínas dietéticas dela queimadas como combustível! Isso deixa a mãe e o seu bebê mal nutridos, sendo que o bebê desenvolve uma condição de alto risco, Mães e bebês mais saudáveis é resultado do foco na nutrição e não no aumento do peso ou sua restrição.
Mito: Assim que as membranas que constituem o saco amniótico (que envolve o bebê e o líquido amniótico no útero) são rompidas, o bebê precisa nascer dentro de 24 horas para evitar infecção.
O que sabemos: É comum que a bolsa de uma mulher rompa horas antes de começarem as contrações. A espera de 24 horas depois da ruptura espontânea das membranas e antes de ser induzido com medicamentos, permite que a maioria das mulheres inicie o parto por conta própria. A espera de mais 48 horas permite que cerca de 95% das mulheres iniciem o parto espontaneamente Durante esse período os exames vaginais NÃO podem ser feitos. Exames vaginais podem iniciar infecções trazendo bactérias para o colo do útero através do exame com luvas. Nem mesmo monitores internos do feto deveriam ser instalados. Assim como nada deve ser colocado na vagina, inclusive nem fazer sexo. A vagina é bastante hermética e fluídos e secreções saem e não entram. Esse prazo limite de 24 horas foi aconselhado pela primeira vez na década de 1960, e é uma das principais razões para a indução de partos ou Cesariana, se a indução não funcionar. Em 1996, um estudo com 5000 mulheres não encontrou nenhum aumento da infecção de bebês até quatro dias após a ruptura das membranas antes do início do trabalho de parto. (Mary E. Hannah et al., “Induction of Labor Compared with Expectant Management for Prelabor Rupture of the Membranes at Term: Term PROM Study Group,” New England Journal of Medicine 334, no 16 (1996): 1005-10.)
Mito: Indução de partos em datas posteriores às previstas melhora os resultados perinatais.
O que sabemos: Datas de parto determinadas pelo ultra-som são precisas, mas com margem de erro de uma a duas semanas, na melhor das hipóteses, sendo que uma fonte sugere que é de 5 a 22 dias. Mesmo assim, a obstetrícia moderna dá mais crédito às datas previstas pelo ultra-som do que ao conhecimento da mãe de sua própria fertilidade (ela pode ter longos ciclos) e quando ela diz que a concepção deve ter ocorrido. A indução do colo do útero imaturo leva a um trabalho de parto mais demorado e mais difícil. Se a mãe não está pronta, seu corpo não responderá à indução. As induções que não dão certo levam aos números assustadores de cesarianas e a todos os riscos que incorrem. Outras conseqüências da indução precoce incluem um elevado número de bebês prematuros, bebês com problemas respiratórios e aqueles que precisam permanecer mais tempo sob cuidados médicos, A data do parto é apenas uma “data prevista”. Algumas semanas tanto antes quanto depois desta data prevista é perfeitamente normal para um bebê nascer. Eu li que a placenta continua a formar novos vasos sanguíneos durante toda a gravidez. Talvez haja outros fatores que afetam a duração da gestação, como o clima, quantidade de luz (por exemplo, latitudes Norte vs o Equador), saúde, estresse e diferenças individuais entre as necessidades tanto do bebê quanto da mãe. Uma mãe atenciosa recentemente disse, “Eu acho que, quando eu estava doente durante a gestação, meu bebê estava no botão ‘pause’!” Basta dizer que nós não temos nem idéia de quais preparativos são necessários antes do bebê fazer a sua grande estréia no mundo. Eu acredito que é injusto apressá-los e privá-los do seu tempo devido no útero. Bebês nascem quando estão prontos.
Mito: Uma mulher em trabalho de parto não deveria comer nem beber porque, caso precise de anestesia geral, ela pode vomitar e inalar o conteúdo do seu estômago enquanto estiver inconsciente, arriscando contrair pneumonia por aspiração.
O que sabemos: Se uma mãe em trabalho de parto está com fome ou com sede, ela deve comer ou beber. Na década de 1940 “Nada pela boca” tornou-se prática padrão quando anestesistas não eram altamente treinados e experientes como eles são hoje em dia. A aspiração do conteúdo do estômago é quase desconhecida agora visto que a intubação (introduzir um tubo na traquéia abaixo da garganta) é rotina durante a anestesia geral, e a anestesia de parto, na maior parte, é em forma de peridural durante a qual as mulheres estão conscientes. Não comer antes de ir para o hospital não garante um estômago vazio, já que o trabalho de parto diminui a digestão da alimentação ingerida horas antes. Sucos gástricos são sempre secretados mesmo se o estômago estiver vazio. Uma mulher em trabalho de parto é uma atleta, e assim como um atleta ela precisa de água e nutrientes antes e/ou durante seu grande evento se ela o desejar. Fome no trabalho de parto causa Cetose, uma condição metabólica de degradação incompleta de gorduras para ser usadas como combustível porque a glicose do sangue está indisponível. Além disso, a fome no parto pode fazer com que o útero se torne fatigado e funcione de forma desordenada (disfunção uterina).
Fonte: Blog Gisele Bundchen
Autora: Debora Allen



