Tudo sobre amamentação
Idade Natural do Desmame
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
Por Katherine Dettwyler, PhD TRAD. Janaína de O. Ribeiro
Universidade do Texas A e M
Meu estudo se baseou nas diversas variáveis que se relacionam com a “história de vida” (tempo de gestação, peso ao nascer, taxa de crescimento, época em que acontece a maturidade sexual, idade de dentição, tempo de vida, etc.) em primatas não-humanos, e posteriormente observou-se como essas variáveis se correlacionam com a idade de desmame desses animais.
Trata-se dos nossos parentes mais próximos no reino animal, especialmente os gorilas e os chipanzés, que compartilham 98% dos genes humanos. Elaborei uma lista de previsões para quando os humanos efetuariam o desmame “natural” se não tivessem tantas normas culturais a esse respeito. Meu interesse surgiu a partir der uma leitura inter-cultural sobre a idade de desmame, que demonstra que diferentes culturas sustentam crenças bastante diversas sobre quando uma criança deve ser desmamada, desde muito cedo nos E.U.A. até muito tarde em alguns lugares.
É comum escutar que a idade média de desleitamento em todo mundo seja de 4.2 anos, porém este número não é nem exato, nem significativo. Um levantamento de 64 estudos “tradicionais” realizado antes dos anos 40 demonstrou uma duração média de amamentação de 2 anos e 8 meses, mas, com algumas culturas desmamando muito mais cedo, e outras bem mais tarde. É sem sentido, estatisticamente, falar de uma idade média de desaleitamento mundial, quando muitas crianças nem chegam a ser amamentadas, ou, suas mães desistem nos primeiros dias, ou, nas 6 semanas quando retornam ao trabalho. É verdade que ainda existem muitas sociedades onde as crianças são amamentadas rotineiramente até os quatro ou cinco anos, ou mais, e até mesmo nos Estados Unidos, algumas crianças são amamentadas por esse período, e algumas por períodos mais longos. Nas sociedades em que é permitido às crianças serem amamentadas no peito “até quando quiserem”, elas geralmente desmamam por si próprias, sem discussões ou traumas emocionais, entre os três e os quatro anos de idade. Esse interesse também surgiu da percepção que outros animais possuem uma idade “natural” de desmame, cerca de 8 semanas para os cachorros, de 8 a 12 meses para os cavalos, etc. Presume-se que esses animais não detenham crenças culturais sobre quando o desmame seria apropriado.
Alguns dos resultados são como segue:
1. Em um grupo de 21 espécies de primatas não-humanos (macacos e gorilas) estudados por Holly Smith, ela verificou que a prole era desleitada ao mesmo tempo em que apareciam seus primeiros molares permanentes. Nos humanos, isso aconteceria entre 5.5- 6 anos de idade.
2. É comum os pediatras afirmarem que a duração da gestação é aproximadamente igual à duração da amamentação em muitas espécies, sugerindo uma idade de desmame aos 9 meses para os humanos. No entanto, essa relação acaba por ser afetada pelo tamanho dos animais – quanto maiores os adultos, maior a duração da amamentação em relação à gestação. Para os chipanzés e os gorilas, os dois primatas mais próximos aos humanos em tamanho e na genética, a relação é seis para 1. Querendo dizer que elas amamentam sua prole por 6 vezes a duração da gestação ( de fato 6.1 para os chipanzés e 6.4 para os gorilas; com os humanos ficando na metade do caminho entre esses dois). Nos humanos, a relação seria: 4.5 anos de amamentação (seis vezes os nove meses da gestação).
3. É comum os pediatras afirmarem que a maioria dos mamíferos desmama sua prole quando esta atinge o triplo do seu peso de nascimento, sugerindo uma idade de desmame a 1 ano de idade nos humanos. Porém, novamente, essa conta é afetada pelo peso corporal, com mamíferos maiores amamentando sua prole até que esta tenha quadruplicado o peso com que nasceu. Nos humanos, o quádruplo do peso do nascimento é atingido aos 2.5 e 3.5 anos de idade, geralmente.
4. Um estudo dos primatas revelou que suas crias eram desmamadas quando atingiam cerca de 1/3 do seu peso na idade adulta. Isso acontece para os humanos entre os 5 e os 7 anos de idade.
5. Uma comparação entre a idade de desmame e a maturidade sexual em primatas não-humanos sugere uma idade de desmame entre os 6-7 para os humanos (por volta da metade do caminho para a maturidade reprodutiva).
6. Estudos demonstraram que o sistema imunológico de uma criança não completa sua maturidade até cerca dos 6 anos de idade, e é bem estabelecido que o leite materno ajuda a desenvolver o sistema imunológico e melhorá-lo com anticorpos maternos enquanto o leite materno for produzido (até os dois anos, nenhum estudo foi realizado sobre a composição do leite materno mais de dois anos após o parto).
Assim, a idade mínima esperada para o desmame natural nos humanos é de dois anos e meio, com um máximo de 7 anos.
Em termos dos benefícios da amamentação duradoura já existe um número de estudos comparando bebês amamentados no peito e bebês amamentados através de mamadeira com relação a diversas enfermidades, e também relacionando os resultados do exame de QI. Em todos os casos, os bebês amamentados no peito apresentaram um risco menor de doenças e resultados de QI superiores aos dos bebês amamentados por mamadeira. Naqueles estudos que classificavam bebês amamentados no peito pela duração da amamentação, os bebês que foram amamentados por mais tempo se sobressaíram tanto em termos de menor incidência de doenças, como apresentaram um resultado de QI superior. Em outras palavras, se as categorias fossem 0-6 meses de amamentação, 6-12 meses, 12-18 meses, 18-24+ meses, os últimos se saíram melhor, e as de 12-18 meses de amamentação foram os próximos melhores, e os bebês amamentados de 0-6 apresentaram os piores resultados entre os bebês amamentados no peito, mas, ainda se saíram muito melhor do que os grupos amamentados por mamadeira. Isto tem se demonstrado através de distúrbios gastrointestinais, afetação do sistema respiratório superior, escleroses múltiplas, diabetes, doenças do coração, e assim por diante. Da mesma forma, os bebês que foram amamentados no peito por mais tempo atingiram os melhores resultados nos exames de QI. Um ponto a se observar é que nenhum desses estudos foi realizado com crianças que tivessem sido amamentadas mais de 2 anos. Qualquer um amamentado entre 18-24 meses ou mais, foi aglomerado na grande categoria. Presume-se que os benefícios continuem a acontecer, já que o seu corpo não *sabe* que o bebê fez aniversário passando a produzir leite menos valioso nutricional e imunologicamente.
No entanto, ainda não foi comprovado nem que os benefícios da amamentação no peito continuam nem que cessam aos 2 anos de idade, por que os estudos apropriadas ainda não foram realizados. A tendência durante os primeiros dois anos é claramente que os benefícios aumentam quanto maior o tempo da amamentação. É evidente os benefícios do fenômeno de rendimento decrescente funcionando aqui – os primeiros seis meses de amamentação são claramente mais importantes em termos da nutrição e desenvolvimento do bebê do que os seis meses dos 3.5 aos 4 anos. Isso não significa que você não deve continuar a suprir leite materno se o seu bebê assim o quer e você também. Seria como dizer : – Bem Mabel, nós não recebemos mais tanto dinheiro daquele poço de petróleo. Antes eram R$ 56 por mês dos royalities , agora com sorte recebemos R$ 25 por ano. Acho que deveríamos dizer a eles para guardarem seu maldito dinheiro. E Mabel responde:- Santa Misericórdia, Clyde, não seja ridículo. Aquele cheque ainda compra R$ 25 de comida. Onde você está com a cabeça?
Sem dúvida, os bebês nascidos nos E.U.A não estão sujeitos a tantas doenças, parasitas, e água contaminada quanto os bebês dos países do Terceiro Mundo. Nós temos mais suplementos alimentares que de modo geral podemos confiar que sejam limpos e seguros. Podemos imunizar nossas crianças, e utilizar antibióticos para infecções, se necessário. O fato de nós *podermos* não significa que a amamentação seja insignificante. Bebês amamentados no peito ainda apresentam melhor saúde do que os amamentados por mamadeira, mesmo em ambientes exemplarmente limpos e com o melhor atendimento médico. Eles adoecem menos, são mais inteligentes, são mais felizes. Outra consideração importante para as crianças mais velhas, é que elas conseguem manter seu vínculo emocional ligado a outra pessoa, em vez de transferir a ligação para um objeto inanimado, como um ursinho ou um cobertor.
Acredito que este fato proporcione o cenário para uma vida orientada para pessoas, em vez do materialismo, e considero esse fator positivo. Também não consigo imaginar passar pelos primeiros anos de vida de uma criança sem aquela conexão amorosa à criança enquanto essa passa por enormes transformações, algumas até frustrantes. Eu poderia prosseguir indefinidamente, mas pararei aqui.
Espero que tenha contribuído com esse estudo. Essas idéias são desenvolvidas de maneira muito mais eloqüente e com maior riqueza de detalhes no meu capítulo “Tempo de Desmamar” no livro Breastfeeding: Biocultural Perspectives, sendo publicado por Aldine de Grutyer.
Preparado no dia 3 de agosto de 1995. Editado no dia 10 de fevereiro de 1997.
fonte: http://www.slingando.com
Amamentação e Alimentação, aprenda a conciliar!
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
O facto de ter dado à luz não significa que não deva continuar a cuidar da sua alimentação. Para além disso, se está a dar peito ao bebé é muito importante que preste atenção ao que come pois poderá estar a afectar o desenvolvimento e crescimento do seu filho.
Dar peito ajuda a recuperar mais facilmente o peso que tinha antes da gravidez: a amamentação queima calorias já que a gordura armazenada no corpo durante a gravidez se converte em energia para produzir leite e, assim, ajuda o útero a “encolher” depois do parto, de modo que as mães que amamentam os seus bebés recuperam a forma e perdem peso mais depressa. Pelo que, embora não esteja a dar peito ao seu bebé, é importante que siga uma dieta saudável que ajude a que o seu corpo recupere da gravidez e se reponha do esforço que fez. Não precisará de privar-se de certos alimentos que podem prejudicar o bebé quando amamenta (como o café ou o álcool), mas deve sim seguir uma alimentação saudável para voltar a ter a figura que tinha antes.
Para além disso, o seu filho estará a comer junto a vocês mais rápido do que pensa e se os seus hábitos alimentares são bons, terá mais probabilidades de que siga o seu exemplo e que adquira, desde muito cedo, bons costumes com a sua dieta.
Geralmente ao dar peito o seu apetite aumenta, mas não caia no mito de comer por dois. A sua alimentação durante a amamentação deve ser similar à de qualquer outro momento da sua vida. Amamentar o seu filho irá ainda ajudá-la a perder peso. Não espere que os quilos desapareçam por magia com uma dieta à base de bolos de manteiga e de batatas fritas. O bom é que muitos alimentos proibidos na gestação voltam a fazer parte da sua dieta.
No seu menu não deve faltar …
Frutas e verduras: Coma pelo menos 5 rações de frutas e/ou verduras.
Fibra: Consuma alimentos ricos em fibra como pão integral, cereais integrais, legumes, frutas e todos aqueles alimentos enriquecidos com fibra. As fibras são especialmente recomendadas depois do parto, quando a obstipação se converte num problema habitual.
Hidratos de carbono: Deverá aumentar as quantidades de alimentos como o pão, as massas, o arroz ou as batatas para o aporte de energia extra que precisa em vez de alimentos ricos em açúcares ou gorduras saturadas.
Proteínas: As necessidades proteicas devem ser o dobro que em condições normais. Uma grande parte deve ser de origem animal. Dê preferência às carnes pouco gordas, aves, peixe branco e azul, ovos, leite e outros derivados pouco gordos.
Peixe: Coma pelo menos duas rações por semana, incluindo uma de peixe azul, rico em ácidos gordos ómega 3. Ao comer uma ou duas rações de peixe azul por semana, aumenta os níveis de ómega 3 no seu leite, o que, segundo vários estudos, pode ter efeitos benéficos no desenvolvimento do cérebro e dos olhos do seu bebé.
Produtos lácteos: São a principal fonte de cálcio, componente indispensável do leite. É fundamental para a produção do mesmo. Para além disso, durante o parto terá menos do que o normal. Procure tomar pelo menos 3 copos de leite diários, ou 3 copos de leite e outros produtos lácteos como iogurtes, queijos, doces lácteos, queijadas, cremes elaborados com leite, etc.
Líquidos: Deverá beber pelo menos um litro e meio por dia, isto é, cerca de 6 a 8 copos seja de água ou de sumos naturais. O leite materno contém cerca de 80 a 90% de água que terá de repor.
Ferro: O bebé precisará, durante a última etapa da gravidez, de grandes quantidades deste mineral que estão nas suas reservas. Depois de dar à luz, possivelmente os seus níveis estabilizam. Entre os alimentos que aportam ferro estão as ameixas, os cereais integrais, o fígado, os legumes, as verduras de folha verde, como os espinafres, e as carnes vermelhas.
Conselhos para comer bem e perder o peso ganho
Muitas recém estreadas mamãs sentem uma pressão enorme por perder peso depois da gravidez. No entanto, fazer uma dieta restritiva neste período não é muito aconselhável sem consultar o seu médico antes. Perder peso rapidamente fará com que se sinta sem energia num momento no qual precisará dela mais do que nunca e que pode significar que tanto você como o seu bebé percam nutrientes essenciais na gravidez. A quantidade de calorias adicionais requeridas dependerá do peso que ganhou durante a gravidez. Se tem uns quilos a mais o recomendável é emagrecer a pouco e pouco, limitando a ingestão de alimentos ricos em açúcares e gorduras. Se seguir uma alimentação muito baixa em calorias, a produção de leite pode ser afectada.
Os especialistas asseguram que ao perder 250 a 500 gramas por semana, comendo de forma equilibrada e com exercício regular a produção de leite não será afectada, nem tão pouco o peso do seu filho. Se está magra deve assegurar-se de que adquire essa energia extra, mas sempre levando uma alimentação equilibrada e refeições regulares. Rapidamente notará as alterações.
Deixamos-lhe aqui uma ajuda em forma de conselhos para que não caia em tentação:
- Recorra a temperos saudáveis. Tenha sempre à mão snacks ligeiros para evitar recorrer à caixa de bolachas ou ao pacote de batatas fritas quando tem fome. Uma boa opção é os frutos secos, o queijo fresco em pacotinhos, as barritas de cereais, a fruta, etc.
- Quando estiver a dar peito tenha sempre perto de si um copo com água.
- Fuja da comida preparada industrialmente. Se não tiver tempo para cozinhar, compre verduras congeladas. São cómodas e fáceis de preparar, poupará tempo e pode encontrá-las no mercado todo o ano. Mantêm as suas propriedades nutritivas e, para além disso, já estão limpas, cortadas e prontas a cozinhar. Com as saladas já preparadas e embolsadas também ganhará uns minutos.
- Aproveite as horas nas quais o bebé está a dormir para fazer comida em grandes quantidades. Depois congele em rações individuais.
- Faça compras online.
- Muitas vezes o que a leva ao frigorífico não é a fome mas sim o aborrecimento, o sono, o cansaço … Faça um pouco de exercício, saia para passear ou peça ajuda se for necessário.
- Se lhe quiserem oferecer prendas, peça cestas de fruta em vez de caixas de bombons.
Algumas ideias de comida rápida e temperos saudáveis para mamãs sem tempo:
- Cremes de verdura. São fáceis e rápidas de preparar.
- Cereais com iogurte e bocados de fruta.
- As frutas são saudáveis e muito fáceis de comer se estiver ocupada. Uma banana, uma maçã, um pêssego … Descasque e corte várias frutas para guardar no taça no frigorifico. Quando tiver fome já terá a fruta pronta para comer. Outra opção são os frutos secos, como as passas, os figos secos ou as fresas desidratas como alternativa a outros doces industriais.
- Sandes vegetarianas.
- Saladas de arroz.
- Sandes de frango grelhado.
- Tostas com tomate e …. o que quiser! Queijo, atum, fiambre, carne, verduras, etc.
- Saladas de fruta, de frutos secos, de queijo fresco, etc.
- Ovos mexidos.
O que evitar
Embora não exista nenhum alimento totalmente proibido durante a amamentação, deverá limitar o consumo de alguns deles. Como o peixe azul, por exemplo. Não coma mais de duas rações por semana. Tão pouco abuse da cafeína nem do álcool, já que passam para o bebé pelo leite materno. Para além disso, demonstrou-se que este último pode interferir na produção do leite. O álcool alcança o seu nível máximo no leite entre os 30 minutos a uma hora depois de ter bebido e elimina-se ao mesmo ritmo que do sangue, aproximadamente umas duas horas por unidade, embora isto varia em função do peso e da quantidade ingerida. Se está a planear sair à noite para beber álcool, extraia o leite antes de começar a beber, em quantidade suficiente para que dure até que o álcool se tenha eliminado totalmente do seu corpo.
Preste atenção aos amendoins. Se existirem antecedentes de alergias na família, evite comer amendoins e estará a reduzir as possibilidades de que o bebé desenvolva a alergia.
Em algumas ocasiões aconselha-se não comer certos alimentos que alterem o sabor do leite, como o alho, o picante, os citrinos … Na realidade não são prejudiciais para o bebé. Alguns bebés podem recusar o leite pelo sabor, já outros podem gostar do sabor. Tenha em atenção as reacções do seu bebé e, dessa forma, e elimine aqueles que não forem do agrado do seu bebé.
Postado Originalmente em: Todo Papas
Livre Demanda – o que é realmente – Dr. Carlos Gonzalez
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
um resumo do capítulo A Frequência e a Duração das Mamadas, do livro Un Regalo Para Toda La Vida, do dr. Carlos González.
Provavelmente, você já escutou que o peito se dá a demanda. Mas é fácil que lhe tenham explicado mal. É muito difícil erradicar da nossa cultura essa obsessão coletiva com os horários das mamadas. Parece que sempre foi assim. Alguns, ao ouvir falar da livre demanda, acham que é um invento dos hippies e com semelhante despropósito vamos criar uma geração de selvagens indisciplinados. Mas é justo o contrário, dar o peito à demanda é que sempre foi assim e os horários são uma invenção moderna. É verdade que algum médico romano já havia falado de horários, mas foi um caso isolado e naquele tempo as mães não perguntavam aos médicos como tinham que dar o peito. Praticamente todos os médicos do séc.XVIII recomendavam a amamentação a demanda (ou não recomendavam nada, porque, como a amamentação não é uma doença, os médicos não se ocupavam muito desse tema). Só a princípios do séc.XX começaram quase todos os médicos a recomendar um horário e mesmo assim poucas mães o seguiam, porque não havia saúde pública e os pobres não iam ao médico se não estivessem muito doentes. Só quando as visitas ao pediatras começaram a converter-se numa cerimônia regular, em meados do século passado, começaram as mães a tentar seguir um horário, com péssimos resultados.
Muita gente(mães, familiares, médicos ou enfermeiras) lê ou ouve isso de livre demanda e pensa: “Sim, claro, não é necessário ser rígidos com as três horas. Se chora 15 min. antes, pode-se dar o peito e também não é necessário acordá-lo se está dormindo”. Ou então: “Sim, claro, a demanda, como sempre disse, nunca antes de duas horas e meia nem mais tarde que quatro”. Tudo isso não é a demanda; são só horários flexíveis, que claro que não são tão ruins como os horários rígidos, mas continuam causando problemas. Livre demanda significa em qualquer momento, sem olhar o relógio, sem pensar no tempo, tanto se o bebê mamou faz 5 horas quanto se mamou faz 5 minutos.
Mas, como pode ter fome aos cinco minutos? Imagine que está criando o seu filho com mamadeira. Ele costuma tomar 150ml e, de repente, um dia, o bebê só toma 70 ml. Se aos cinco minutos, parece que tem fome, você dá os 80 ml ou pensa: “Como pode ter fome se faz só cinco minutos que tomou a mamadeira?”. Tenho certeza que todas as mães dariam a mamadeira sem duvidar um único minuto, de fato, muitas passariam mais de uma hora tentando meter a mamadeira na boca do bebê a cada cinco minutos. Pois bem, se um bebê solta o peito e ao cabo de cinco minutos parece ter fome, pode ser que só tenha mamado a metade. Talvez tenha engolido ar e se sentia incômodo e agora que arrotou já pode continuar mamando. Talvez tenha se distraído ao ver uma mosca e agora a mosca já se foi e ele percebeu que ainda tem fome. Talvez tanha se enganado, achou que estava satisfeito e agora mudou de opinião. Em todo caso, só esse bebê, nesse momento, pode decidir se precisa mamar ou não. Um especialista que escreveu um livro na sua casa no ano passado ou faz um século, ou a pediatra que viu o bebê na quinta passada e lhe recomendou um horário não podem saber que seu filho hoje, às 14:45 da tarde ia ter fome. Isso seria atribuir-lhes poderes sobrenaturais.
E qual o tempo máximo? É preciso acordá-los? Quantas horas podem estar sem mamar? Em princípio, as horas que queira. Um bebê saudável, que engorda normalmente, não precisa ser acordado. É distinto o caso de um bebê que está doente ou não aumenta normalmente de peso. Um bebê pode estar tão fraco que não tem força para pedir o peito. Nesses casos, é preciso oferecer o peito com mais frequência. Isso também pode aplicar-se aos recém-nascidos.
Quando o bebê dorme muito, muitas vezes não é preciso acordá-lo, mas sim estar atento aos seus sinais de fome. A demanda não significa dar o peito cada vez que chore. O choro é um sinal tardio de fome. Do momento que uma criança maior tenha fome até que chore podem passar várias horas. Do momento que um bebè tem fome até que chore podem passar alguns minutos, ou até mais, dependendo da personalidade do bebê. Mas é raro, que nada mais ter fome, comece a chorar. Antes disso terá mostrado sinais precoces de fome: uma mudança no nível de atividade (acordar, mexer-se), movimentos com a boca, movimentos de procura com a cabeça, barulhinhos, por as mãozinhas na boca…então, é quando se deve pô-lo no peito, não esperar que chorem. Se um bebê que está fraco porque perdeu peso está sozinho no seu quarto, fora da vista dos seus pais, é provável que dê estes sinais e ninguém perceba e ele volte a dormir por cansaço.
Dar o peito à demanda não significa que mame o que mame o bebê, sempre seja normal. Pois bem, também existem valores normais para a frequência e a duração das mamadas. O problema é que não sabemos quais os valores normais para o ser humanos. Porque o ser humano vive em sociedades, em civilizações, com nossas crenças e normas. As espanholas, há trinta anos, davam o peito dez minutos cada quatro horas. Não faziam o que queriam, o normal, mas sim o que havia indicado o médico ou o livro. Se no Alto Orinoco existe uma tribo que dá o peito cinco minutos a cada hora e meia, isso é o natural ou é o que recomenda o xamã da tribo?
Inclusive dentro da Europa há diferenças. Num estudo multinacional sobre crescimento dos bebês, observaram com surpresa que o número médio de mamadas ao dia aos dois meses de idade ia desde 5,7 em Rostock (Alemanha) até 8,5 no Porto, passando por 6,5 em Madrid ou 7,2 em Barcelona. Mulheres de cultura muito similar, que supostamente estão dando o peito à demanda. Como é possível que os bebês demandem mais peito num país que no outro?
A resposta é simples, mas inquietante. Acontece que a amamentação a demanda, o conceito em torno do qual gira esse livro não existe. Não existe porque os bebês não sabem falar. Se um bebê falasse, um observador imparcial poderia certificar: “Efetivamente, essa mãe está dando o peito à demanda”, porque às 11:23 a menina disse: “Mamãe, peito” e às 11:41 voltou a pedir, mas não lhe deu o peito até que pediu por terceira vez, às 11:57. Como os bebês não falam, fica a critério da mãe decidir quando está demandando ou não. Dois bebès choram, uma mãe lhe dá o peito no mesmo instante e a outra olha o relógio e diz: “Fome não é, porque não faz nem uma hora e meia que mamou, devem ser os dentes” e lhe dá um mordedor. Dois bebês mexem a cabecinha e a boca procurando peito. Uma mãe dá o peito, a outra nem percebe porque o bebê estava no berço e a mãe não o via. Dois bebês dizem: “angu”. Uma mãe pensa: “Ui, já acordou” e o põe no peito e a outra o olha embevecida e diz: “que lindo, já diz angu!”.
Por último, recordar que à demanda não só significa quando o bebê quer, mas também quando a mãe quer. É claro que as necessidades de um recém-nascido são totalmente prioritárias. Mas, à medida que o bebê cresce, cada vez sua mãe tem mais possibilidades de decidir quando dá o peito ou não. Vale ressaltar que um horário rígido é inadequado em qualquer idade e sempre convém que o bebê decida a maioria das mamadas. Mas não há problemas em adiantar ou atrasar um pouco alguma das mamadas.
Assim que, ao contrário do que muita gente pensa, a livre demanda não é uma escravidão, mas sim uma liberação para a mãe. A maioria das vezes pode fazer o que quer o seu filho, de modo que o bebê está feliz e não chora e portanto, a mãe também está feliz e não chora. E de vez em quando pode fazer o que ela quer. A escravidão é o relógio.
Evite fissuras mamárias
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
As fissuras mamárias, ocasionadas na amamentação, geralmente são provocadas pela posição incorreta do bebê em relação à mama, pela quantidade e duração das mamadas e principalmente pela sucção realizada de forma inadequada.
Para fortalecer as mamas e evitar o surgimento de rachaduras, alguns cuidados simples são essenciais:
- A posição para amamentar deve ser a mais confortável possível. É importante a escolha de um local agradável que propicie mais conforto e tranquilidade para a mamãe e o bebê. Leia mais sobre posições de amamentação neste artigo.
- Nos primeiros dias após o parto, as mamas normalmente ficam mais pesadas, ligeiramente mais quentes e sensíveis. Essa sensação poderá ser amenizada com massagens diárias para evitar o acúmulo de leite produzido;
- Em algumas mulheres, as mamas produzem uma quantidade de leite maior do que a quantidade que a criança necessita para se alimentar. Assim, o leite que produzido em excesso poderá ser retirado com o auxílio de bombas ou manualmente;
- Após amamentar, recomenda-se proteger os bicos com conchas plásticas (vendidas em farmácias e supermercados), evitando o contato direto da pele com o tecido das roupas e lingeries.
- Tomar banhos de sol nas mamas, por aproximadamente 15 minutos por dia, antes das 10 horas e após às 16 horas;
- Usar diariamente sutiãs que sejam constituídos de bons tecidos, e que promovam uma boa sustentação;
- Caso necessitar interromper a mamada por algum motivo, utilize a técnica de inserir o dedo mínimo no canto da boca do bebê e espere a entrada do ar para a perda do vácuo, possibilitando o movimento;
- Recomenda-se evitar a retirada brusca do bebê da mama, evitando traumas nos mamilos.
Pensando em amenizar o problema da fissura mamária, que afeta muitas mulheres durante o período da amamentação, o Aché Laboratórios desenvolveu o Millar, produto à base de lanolina anidra pura, que além de melhorar a condição dos mamilos, favorece a regeneração natural da pele, deixando-a mais nutrida e fortalecida.
Texto de: Millar – Hidrata
1º Caminhada Bemvindo
Fonte: Matrice
ENAM – Pessoas, projetos e amamentação
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog, Eventos, Parto
Dia 11 de junho, fui ao ENAM (XI Encontro de Aleitamento Materno) que aconteceu em Santos entre os dias 8 a 12 de junho, para cobrir o evento para a nova Revista que será lançada aqui na Baixada, chamada Saúde à Beira-Mar.
Ao chegar, ouvi cantigas de roda. Era a finalização do Enamzinho. É a segunda vez que o ENAM propõe às escolas da cidade-sede, projetos que englobem a temática da amamentação. As escolas se envolveram muito! Eles fizeram cartazes, atividades, rodas de conversa sobre amamentar com crianças de 2 a 12 anos! A tenda estava enfeitada com os trabalhos das crianças e a energia estava maravilhosa! E é assim que se faz brotar a cultura do amamentar.
Tive o privilégio de conhecer de perto mulheres-mães-profissionais e projetos que sempre admirei virtualmente e me aproximei um pouco mais deste universo materno que tanto respeito.

Logo depois do Enamzinho, onde as crianças ouviram histórias, fizeram dobraduras e uma boneca que dá de mamar, perguntei pela responsável para uma das responsáveis! E tive o enorme prazer de conversar com Maria Lúcia MÜHLBAUER – médica, representante do grupo de mães Amigas do Peito (Niterói , RJ) e também com Fabiola Cassab da ONG Matrice, de São Paulo e Francesca, La Leche League, que depois de alguns anos em Brasília, está trazendo a Liga para o Rio de Janeiro. As mamães paulistanas e cariocas que desejam amamentar seus filhos, cliquem nos links (tudo que é rosa é link), lá vocês encontrarão o apoio e as informações que precisam para realizarem uma amamentação agradável, tranquila e terem seus bebês satisfeitos e sádios.
Consegui acompanhar o final de uma mesa com Jânio do Nascimento Alves. Logo que entrei, reconheci o belo trabalho realizado em Campina Grande, na humanização do parto. Quando estava grávida da Içara, disse ao Gustavo o quanto gostaria de ir à Paraíba parir, porque lá existia a Dra Melania e toda a sua equipe realizando feitos surpreendentes! Mesmo com a “estrutura precária da unidade de saúde, mas com uma equipe motivada”, segundo Jairo. Os índices de partos naturais, sem intervenções de medicamentos, são louváveis. Os partos apresentados neste trabalho, não tinham sequer uma episiotomia para contar história! E lacerações que não precisaram de pontos e nem deformaram as mães (como apavoram tantos obstetras).
Aqui está o vídeo que assisti grávida! Depois de assistir, me diga se não dá vontade de ter seu filho com este apoio paraibano?
Para fechar com chave de ouro, conheci também o CIAMA, um centro de incentivo ao aleitamento materno, que faz a diferença em São Sebastião, litoral norte de São Paulo. Lá as mães são acompanhadas desde a gravidez, com yoga para gestantes, com a devida assistência médica, com suporte emocional e psicológico. No CIAMA tem também a Dança Materna, onde grávidas e mamães com sling dançam com seus filhos. Atividade que motiva as mães a perderem peso, a amamentar e melhora a auto-estima, o vínculo com o bebê, a produção de leite e diminui consideravelmente a depressão pós-parto. As responsáveis são as enfermeiras Patrícia e Carla, que além do conhecimento científico dividem com as mães da comunidade o conhecimento e suas experiências maternas, como você pode ver na foto. A enfermeira Carla amamentando seus filhos. Segundo ela, amamentou durante a gravidez do segundo filho e continuou amamentando a filha mais velha após o parto.
“Se você acha difícil amamentar um, tente dois”, foi a frase para fechar esta linda apresentação.

Agradeço a equipe do ENAM que nos deu carta branca para entrar, conversar, trocar e aprender muito com tantas experiências vitoriosas e desejamos só sucesso.
E a Içara ainda ganhou um presentinho que eu namorava a bastante tempo! Uma camisetinha da Matrice:

A cobertura formal e completa você encontrará na Revista Saúde à Beira-Mar. Aguardem!!!
Veja como foi “mil mães amamentando à beira mar” - ENAM 2010
Picos de crescimento
O que são picos de crescimento?
Picos de crescimento são alturas em que o bebé aumenta a sua necessidade de ingestão de leite, ou seja, pede para mamar mais vezes e fica mais agitado. Isto acontece, pois devido ao seu desenvolvimento, o bebé vai precisar de mais alimento, e como o peito não aumenta automaticamente a sua produção, o bebé precisa mamar mais vezes para receber a quantidade de leite que precisa. Esta situação também pode acontecer em alturas em que o bebé aprende coisas novas, como aprender a virar-se, a gatinhar, a andar ou a falar, o leite materno também é alimento para o cérebro!
Quando é que os bebés têm picos de crescimento?
As alturas mais comuns de picos de crescimentos são nos primeiros dias do bebé, por volta dos 7-10 dias, 2-3 semanas, 4-6 semanas, 3 meses, 4 meses, 6 meses e 9 meses, é claro que estas são alturas que podem variar de bebé para bebé ou podem acontecer e a mãe nem dar por isso, mas é bom ter uma ideia das alturas aproximadas em que isto pode acontecer. Estes picos podem continuar a ocorrer após o primeiro ano, mas como a criança já come outros alimentos mais regularmente, não são tão fáceis de detectar.
Quanto tempo dura um pico de crescimento?
Normalmente duram 2-3 dias, mas podem durar mais. Para que estes picos sejam mais suaves e durem menos tempo, siga os conselhos que apresentamos a seguir.
O que fazer quando surge um pico de crescimento?
Deve oferecer-se o peito sempre que o bebé pede, nestas alturas o regime livre torna-se ainda mais importante pois o bebé precisa receber uma maior quantidade de leite, e como não o consegue obter todo de uma só vez, vai precisar mamar mais vezes! Quantas mais vezes o bebé mamar, maior será o estímulo e maior será a produção de leite, só assim o seu corpo se poderá adaptar às novas necessidades do bebé. Não é aconselhável suplementar, pois ao oferecer um suplemento, o bebé não vai estimular o peito tantas vezes e assim a produção não tem a oportunidade de aumentar, e não irá acompanhar o crescimento do bebé.
Nestas alturas, a mãe que amamenta pode sentir mais fome e mais sede, e deve responder a estes pedidos do seu corpo, pois pode ser necessário para o aumento da produção!
O contacto pele a pele também pode ser uma ajuda, tanto para acalmar o bebé como para aumentar a produção de leite.
Traduzido e Adaptado por APPM
Fonte: http://www.kellymom.com/bf/normal/growth-spurt.html
Cobertura Livre do ENAM 2010 – mil mães amamentando
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog, Eventos, Lado M
Como havia dito neste post aqui, aconteceu dia 9 de junho, em Santos, dentro do 11º Encontro Nacional de Aleitamento Materno,o ENAM 2010, 1000 mães amamentando à beira-mar.
Içara & eu fomos. Foi muito emocionante. É sempre bonito ver pessoas unidas por um pensamento e “levantando à bandeira” das causas que acreditam.
É bom ver, rever e fazer amigas que acreditam nas mesmas coisas que acreditamos.
E foi assim: todas as mães, juntas, deram de mamar aos seus bebês.
Bebês de todos os tamanhos, recém-nascidos, crescidinhos que já andam e correm, falam. De todas as cores e raças e classes sociais. De 9 cidades. Todos curtindo o tetê da mamãe.
A Içara, sempre do contra, não quis mamar na hora “H” e aproveitei o momento para tirar fotos e fazer vídeos.
O resultado está na galeria e no vídeo abaixo. Espero que gostem e não reparem muito no vídeo, porque não sou nem pretendo ser profissional, mas precisava registrar este evento!
E passem a idéia adiante!
Dar seu leite é dar a VIDA!
Nestes eventos que envolvem muita gente, ou os que tem poucas pessoas também, sempre acontecem falhas.
1º- as prefeituras disponibilizaram ônibus para grupos de mães de suas cidades. Algumas chegaram meio-dia e ficaram lá aguardando o evento (que só começou mesmo, às 15h30).
2º – depois que o mar de mães e profissionais envolvidos deixaram o emissário, restaram apenas copos e mais copos de água, distribuídos pela organização, espalhados pelo chão. Uma pena. Um pouco mais de educação fecharia o evento com chave de ouro.
Mas, é isso. Estamos todos aprendendo e acredito que os próximos serão sempre melhores!
Greve de amamentação – “meu bebê não quer mais mamar!”
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
“Como lidar com uma greve de amamentação?”
“Meu bebê de 7 meses parou de mamar de repente. Já fazem 2 dias que não quer pegar o peito, e também não quer mamadeira! Ouvi falar que isso é uma greve de amamentação. Como lidar com isso? Quero continuar a amamentá-lo ainda! ”
Greves de amamentação são muito comuns. Às vezes, são desencadeadas por algum evento traumático, mas podem também acontecer sem razão aparente. Pode parecer que o bebê está se desmamando, mas é muito raro um bebê desmamar por si só antes de 1 ano. Uma dica que o bebê não está tentando desmamar é se ele parece infeliz durante a greve, se ele pega o peito rapidamente, e então começa a chorar e se recusa a pegar o peito novamente. Você talvez não seja capaz de identificar a causa da greve, mas algumas possibilidades são:
• Evento traumático repentino – o mais comum é mãe gritando quando o bebê morde o peito, o que é algo comum e compreensível de acontecer.
• Estresse em casa
• Doenças como otite, congestão nasal severa
• Visitantes em casa
• Mudanças grandes no ambiente
Aqui algumas coisas que se pode fazer para encorajar o bebê a mamar novamente:
• Tente oferecer o peito à noite, ou durante uma soneca, quando o bebê começa a despertar, mas não está totalmente acordado ainda.
• Fique o maior tempo possível em contato pele com pele com seu bebê, sem especificamente tentar oferecer o peito.
• Tente amamentar em situações não usuais, como andando ou movendo-se em outra situação.
• Tente variar posições de amamentar.
Talvez você precise ordenhar para aliviar os peitos de ductos ingurgitados durante a greve. O bebê pode tomar esse leite no copinho.
Greves geralmente duram 2 a 4 dias, e quase nunca resultam em desmame definitivo.
Por Dr. Robert Sears
Original em http://askdrsears.com/faq/bf6.asp
Trecho pertinente de um texto da Dra. Elsa Giuliani em seu texto “Desmame, fatos e mitos”
É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê.
Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta.
Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias. Notem que a Dra. Elsa considera um aspecto a mais que contribui para a greve de amamentação, que é a DOR DE DENTINHOS nascendo.
Então ofereça alívio para as gengivas inchadas e doloridas, como mordedores gelados.
E siga as outras dicas do Dr. Sears.
Importante notar também que a greve de amamentação tem relação com desmame propriciado ou incentivado pelo uso de bicos artificiais.
Esse texto se refere basicamente à bebês que não os utilizam, e que portanto raramente se auto-desmamariam antes de 1 ano.
Mais sobre a greve de amamentação – Dr Sears
Alguns bebes “do nada” se recusam a mamar por vários dias, depois com um pouco de incentivo resumem sua rotina de amamentaçao prévia. Chamada de greve de mamar, esse comportamento normalmente é causado por incomodos físicos, como dentiçao, gripes, ou probleminhas emocionais (mudança de casa, doença na mãe, discórdia familiar, sindrome do ninho cheio – muitas visitas, muitos passeios, stress de final de ano, etc…
Nosso primeiro bebe, Jim, se recusou a amamentar depois de uma visita ao pronto socorro para tomar uns pontos na testa. Sendo pais jovens e sem experiencia, nós interpretamos isso como um sinal de que ele queria parar de mamar. Afinal, ele já tinha 8 meses, já comia sólidos, já bebia bem de um copinho, e naquela época, maioria dos bebes de 8 meses já estavam desmamados. Nós nao fizemos nada para incentiva-lo devolta ao seio. Hoje em dia sabemos que Jim estava numa greve de mamar.
Aqui está a fórmula de como lidar com um grevista. Em primeiro lugar, entenda que isso é uma perda de interesse temporária e não um sinal de que seu bebe está pronto pra parar de mamar. Raramente bebes com menos de 9 meses querem largar o peito. Tente identificar a possivel causa fisica ou emocional que causou a greve. Depois incentive seu filho a se interessar de novo pelo seio.
Finja que ele é novamente um recem nascido e voces estao comecando essa experiencia desde o primeiro dia. Temporariamente cancele ou delegue todas as tarefas que te obriguem a ficar distante do seu bebe. Explique a “greve” pro seu marido e familia, dizendo que vc precisa de alguns dias focando somente no seu bebe.
Tire o telefone do gancho, relaxe na poltrona de amamentaçao, tomem um banho de banheira juntos, coloque uma musica relaxante, e passe o máximo de tempo que puder apenas segurando seu bebe, pele com pele. Carregue ele no sling sempre que possível para mante-lo proximo do seio.
Amamentar antes das sonecas e na ultima mamada da noite também são jeitos comprovados de fazer com que seu bebe se interesse novamente. Bebes que resistem ao seio quando acordados, muitas vezes aceitam antes de cair no sono, ou mesmo dormindo. Fique agarrado com ele a noite, ou antes de dormir.
As vezes, recriando o ambiente da amamentação, os bebes são lembrados do que estão perdendo. Se o bebe continuar recusando o seio, não alimente ele a força. Deixe que ele adormeça, pele com pele, com a cabecinha dele apoiada no seu seio. Lembre que amamentar significa acalentar também, e não apenas alimentar. As vezes alguns bebes precisam passar por alguns dias de apenas serem segurados e confortados, antes de resumir a amamentação.
Uma greve de mamada pode ser uma mensagem de que o bebe quer renegociar o contrato mãe-bebe. Tente reviver o ambiente de mamadas que vocês tinham antes da greve: a posição favorita dele, a poltrona predileta, o local na casa, etc. Com mães criativas e conectadas, a greve costuma acabar dentro de alguns dias. Mas nós já vimos casos de bebes que não mamam por uma semana e depois resumem gradualmente. Essas mães insistiram, ficaram a total disposição, tiraram leite com a bombinha para manter o estoque, ofereceram leite no copinho, e seguiram sua intuição de que o bebe não estava pronto pra parar.
Se depois de todas essas negociações, o bebe não voltar ao seio, tenha a certeza de que isso realmente foi idéia dele, e ele está, de fato, pronto para passar ao próximo estagio. Não há espaço para arrependimentos, reconheça que seu bebe amadureceu um pouco antes e que foi muito bom pelo tempo de durou.








