Tudo sobre brincadeiras

O movimento do brincar

Karina Toledo – O Estado de S.Paulo

O bom desempenho dos alunos chineses em avaliações internacionais tem chamado atenção para o modelo educacional do País, baseado em disciplina, preparação obsessiva para as provas e quase nenhum tempo para o lazer. Mas um número crescente de educadores, psicólogos e pais defende a ideia de que é brincando que as crianças adquirem as ferramentas para serem bem-sucedidas.

Os jogos e o faz de conta possibilitam exercitar comportamentos adultos, elaborar conflitos, aprender regras de convivência em grupo e desenvolver habilidades como criatividade, liderança e solução de problemas. E foi justamente a preocupação com o futuro profissional das crianças americanas que motivou o grupo Play for Tomorrow (Brincar pelo Amanhã) a lutar por políticas públicas para resgatar o espaço destinado ao lúdico nas escolas e nos lares.

Segundo dados da entidade, em 1981 as crianças gastavam cerca de 40% de seu tempo brincado. Em 1997, o número havia caído para 25%. Nas últimas duas décadas, milhares de escolas americanas eliminaram a hora do recreio para dedicar mais tempo a atividades acadêmicas.

No Brasil não existem estatísticas similares, mas especialistas afirmam que também aqui o “play time” está sendo consumido por atividades extracurriculares e pelas horas passadas em frente a uma tela. Levantamento feito pelo Ibope aponta que as crianças brasileiras gastam, em média, cinco horas diárias assistindo à TV.

“Meninos e meninas estão cada vez mais confinados em condomínios, onde estão supostamente protegidos. Mas acabam sofrendo outro tipo de violência, pois se relacionam sozinhos com a tecnologia”, afirma a psicóloga Lais Fontenelle, do Instituto Alana.

Para ela, é fundamental lutar pela revitalização dos parques e das praças públicas, espaços que oferecem às crianças experiências mais ricas que aquelas vivenciadas em playgrounds de prédios e clubes.

Televisão, internet e videogame passaram a ser tranquilizantes, diz Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia. Distrações que não requerem montagem, bagunça ou sujeira. “Os pais estão perdendo a riquíssima oportunidade de passar tempo com seus filhos. Nem sequer sabem como brincar de massinha. Sentem-se bobos e desajeitados”, diz.

Filão. Essa dificuldade de muitos pais virou uma oportunidade de negócio para a psicóloga Flávia Nabuco, que criou, na zona oeste da capital paulista, um espaço destinado a promover atividades lúdicas, como pintura com os dedos. “Quando você deixa a criança engatinhar, rolar no chão ou se sujar na areia, ela aprende como o corpo funciona e adquire noção espacial. Tudo isso estimula a formação de sinapses e cria ferramentas no cérebro que serão úteis no futuro”, diz.

Mãe de três filhos – Sophia, de 9 anos, Marina, de 8, e Murilo, de 2 anos e 7 meses -, Flavia acredita que as crianças de hoje são muito intelectualizadas. “Os pais as colocam em tantas atividades e não percebem o quanto a brincadeira livre é importante”, defende.

Mas não basta deixar brincar, é preciso participar da brincadeira, diz Marcos Kisil, diretor da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal. “É brincando que se constrói o laço de afetividade e confiança entre pais e filhos. Se o adulto não exercita esse lado, vai ter dificuldade para se comunicar com o filho o resto da vida.”

Para a executiva de contas Andrea Soares, de 38 anos, isso nunca foi problema. Todas as noites, ela e o marido dedicam seu tempo para a filha Julia, de 3 anos. “A maior diversão para ela é brincar de casinha. Nós somos os filhos e ela, a mamãe”, conta Andrea. “É uma troca, pois como ela nos imita durante a brincadeira, podemos avaliar como estamos nos saindo no papel de pais.”

No meio da sala de estar, Andrea montou um cantinho para a filha com barraca e mesa para pintar, desenhar e modelar. “A bagunça não me incomoda, pois sei que uma hora essa fase vai passar. Prefiro tê-la na sala, onde sempre estou por perto.”

Essa também foi a opção da advogada Ana Maria Satiro, mãe de Luiz Fernando, de 8 anos, e Ana Beatriz, de 9. “Depois que as crianças nasceram, eu me acostumei a ter os brinquedos como parte da decoração”, conta. Os meninos frequentam a escola em período semi-integral e praticam natação duas vezes por semana. O resto do tempo é livre. “A casa vira um campo de guerra. Mas, paciência.”

Atropelo. Para a psicopedagoga Adriana Foz, o resgate da infância vai além de garantir espaço para o lúdico. “É preciso rever não apenas o excesso de atividades, mas a forma como as crianças se vestem, comem e se relacionam com o consumismo”, afirmou. Culpados por passar muito tempo longe de casa, diz ela, muitos pais acabam dando às crianças poder de tomar decisões para as quais não estão preparadas. “O estilo de vida moderno leva a um atropelo das fases de desenvolvimento e isso traz consequências. A neurociência tem mostrado que o estrago é neurológico”, completa.

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Como brincar com seu bebê (0 a 3 meses)

O brincar é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, motor e socio-afetivo. Através da brincadeira, a criança percebi a si mesma, o outro, objetos e todo o mundo ao seu redor.
Desde a infância até a fase adulta brincadeiras e jogos fazem parte do cotidiano, desde os primórdios.
Toda brincadeira é pedagógica, nos faz aprender algo novo, tanto nas áreas de linguagem, matemática, artes visuais, quanto no aprimoramente motor e no desenvolvimento social e afetivo.

É brincando que aprendemos a compartilhar, dividir, perder e ganhar.

Brinque com seu bebê e permita-se entrar no jogo.

Com certeza seus dias serão mais leves e coloridos!

Vamos tentar?

Reuni aqui algumas brincadeiras para estimular e divertir o seu bebê.

Mande o seu relato, foto/vídeo de vocês para o email: bruna@kikadepano.com e divida e estimule outras mães com o resultado dessas brincadeiras.

BRINCAR É COISA SÉRIA!

A voz como brinquedo I:

Bebês reconhecem a voz dos seus pais desde a barriga.

- Quando o seu bebê estiver deitado de costas, vá até um dos lados do berço e chame-o pelo nome.
Continue chamando seu nome até que ele mova os olhos ou a cabeça na direção de sua voz.
Vá até o outro lado do berço e diga novamente.
Massageie delicadamente o bebê enquanto sorri, olhe-o nos olhos e chame-o pelo nome.

A voz como brinquedo II:

De acordo com a pesquisa cerebral, quando um bebê escuta uma voz falando em tom agudo ou em falsete (como a “fala de uma criança”), seus batimentos cardíacos aumentam, indicando que ele se sente seguro e feliz.
Quando voce fala num tom de voz mais grave, seu bebê se sente reconfortado e contente.
Experimente cantar uma música num toma mais alto e depois repeti-la num toma mais baixo. Observe a reação do seu bebê aos dois sons diferentes.

A voz como brinquedo III:

Aposto que você não sabia que tinha uma máquina musical escondida em sua boca! Seu bebê adora ouvir sons variados e sua boca é o instrumento necessário para compor uma perfeita sinfonia.

- Materiais:
Sua boca, sua língua, seus dentes e seus lábios

Bebê no colo, de frente para você, para que ele possa ver claramente seu rosto. Comece fazendo sons com a sua boca, tais como:
- Dando beijocas
- Estalando sua língua
- Fazendo sons ao mostrar a língua
- Assoprando feito um barco a motor
- Rosnando, emitindo guizos, balbuciando, emitindo sons que imitam pássaros
- Assobiando, cantando, zunindo Fazendo sons que imitam animais, como, por exemplo, patos, cachorros, gatos, vacas, porcos, galinhas, galos, macacos, cobras, pássaros, burros ou lobos.

Voz e corpo como brinquedos:

Seu bebê começa a aprender a fala e a linguagem muito antes de pronunciar sua primeira palavra. Além de conversar com o seu bebê, tente também uma “Conversa de Barriguinha”. Esse tipo de conversa transforma a fala e a linguagem em experiências sensoriais.

- Materiais:
Sua boca
Cobertor macio

1. Dispa o bebê (a fralda é opcional) e coloque-o sobre um cobertor, de barriga para cima
2. Ajoelhe-se ao lado dele, converse um pouquinho e gentilmente massageie sua barriguinha.
3. Agora é a hora da Conversa da Barriguinha. Pressione seu rosto e lábios sobre a barriguinha do bebê, fale, cante e recite algum versinho infantil, ou apenas crie algumas palavras engraçadas. Varie o tom e a altura de sua voz enquanto estiver falando.
4. Dê-lhe alguns beijinhos a cada vez que terminar uma palavra.
5. Sente e sorria para o bebê toda vez que terminar uma Conversa de Barriguinha. Seu bebê ficará sorrindo enquanto você brinca com ele e esperando pela próxima conversa.

Segurança: Não fale muito alto, o objetivo não é assustar o bebê. Se estiver brincando desse jogo com um bebê despido, lembre-se de ter uma fralda por perto, para o caso de uma emergência!

A brincadeira de soprar

- Essa brincadeira ajuda o bebê a tomar consciência das diferentes partes do corpo.
Sopre delicadamente as palmas das mães de seu filho. Ao soprar, digas as seguintes palavras, cantando: “as mãozinhas do bebê”.
Depois beije as palmas de suas mãozinhas.
Sopre outra parte do corpo.
A maioria dos Bebês gosta de sopros delicados nos cotovelos, dedos, pescoço, bochechas e dedos dos pés.

Brincando de rolar:

A partir de mais ou menos dois meses e meio, muitos bebês começam a se preparar para rolar.

- Experimente pôr o bebê de lado e incentive-o a rolar na sua direção. Mais tarde (a partir dos três meses), você pode pôr um brinquedo colorido ao lado dele, mas um pouco fora do alcance, de modo que ele acabe tentando rolar para pode alcançá-lo. Para incentivá-lo, bata palmas, sorria e elogie.

Brincar de sentar:

Dê a seu bebê a oportunidade de sentar apoiado mais ou menos com a idade de dois meses.

- Deixe-o numa cadeira de bebê que proporcione ao pescoço e às costas o apoio de que ele necessita ou deixe-o em um lugar com almofadas, mas verifique sempre se o pescoço e as costas estão bem eretos.
Para chamar seua atenção, bata palmas, cante ou pendure móbiles para que ele possa movimentar um pouco a cabeça. Mas é preciso estar de olho nele o tempo todo para que não se machuque!

Brincar de bruços:

A partir do 1º mês.

Lembre-se de deixar seu filho deitado de bruços quando estiver acordado e alerta.
Isso vai estimulá-lo a erguer a cabeça e o tórax. Para incentivá-lo ainda mais, sente-se diante dele com um brinquedo colorido e brilhante.
Primeiro, segure bem na frente dele e depois vá erguendo um pouco mais alto para que ele o acompanhe. À medida que ele for conseguindo erguer a cabeça mais alto e tirar o peito do chão, vá segurando o brinquedo um pouco mais alto e mexa-o de um lado para o outro, de modo que ele precise mexer a cabeça para ver. Isso o encoraja a olhar objetos, assim como desenvolver suas aptidões para o movimento.

Sumiu! Achou!

Considerando que o seu bebê é gente nova no planeta, ele gasta a maior parte do tempo tentando entender o seu ambiente. Ajude-o nessa tarefa brincando de Sumiu!

- Materiais:
Brinquedos macios e coloridos
Cobertor, toalha ou paninho

1. Coloque vários brinquedos macios e coloridos fora do alcance dos olhos do bebê.
2. Coloque o bebê sentado em sua cadeirinha e sente-se no lado oposto ao dele.
3. Traga um brinquedo e mostre ao bebê. Segure o brinquedo próximo ao seu rosto e fale com o bebê para chamar a sua atenção.
4. Enquanto o bebê estiver observando, cubra o brinquedo com um paninho.
5. Diga ao bebê: “Sumiu!”
6. Espere alguns segundos, descubra o brinquedo e anuncie alegremente: “Achou!”
7. Repita com brinquedos diferentes.

Segurança: Se o bebê ficar chateado com o sumiço do brinquedo, esconda o brinquedo devagarzinho e mostre a ele o que você está fazendo. Não deixe o brinquedo coberto por muito tempo.

FONTES:
Blog Aprontando Uma – http://aprontandouma.blogspot.com

Site Fisher Price – http://www.fisher-price.com/BR/

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