Tudo sobre carregar
Babysling: opção para carregar bebês
As dores nas costas são uma reclamação frequente entre as mães. No período de dois anos desde a gravidez até o bebê andar, muitas mulheres sofrem com dores na coluna. As transformações do corpo para abrir espaço para o desenvolvimento do feto no útero durante a gestação incluem a movimentação dos ossos da coluna. Após o parto, ainda com os ossos voltando a seus lugares, a mãe entra na maratona de carregar o bebê.
Para diminuir o peso que sobrecarrega a coluna, diferentes povos buscam soluções. Há milhares de anos, africanas, indianas, japonesas, chinesas e índias nativas da América do Norte prendem os bebês de diversas maneiras a seus corpos para transportá-los ou para mantê-los próximos durante a execução de trabalhos domésticos ou da lida na lavoura.
Outras soluções foram criadas para mamães – e mesmo papais –, mas muitas vezes inadequadas. Em recente viagem que fiz aos Estados Unidos, notei que existe uma forte tendência ao uso de babysling, uma faixa de tecido de cerca de dois metros de comprimento por um de largura, que se ajusta ao corpo do adulto. O acessório é unanimidade quando se fala em praticidade: além de deixar as mãos das mamães sempre livres, mantém os bebês pequenos confortavelmente deitados.
Veja as principais vantagens do babysling:
1) A proximidade permite que os bebês escutem os batimentos cardíacos da mãe, como se ainda estivessem no aconchego do útero. É um colinho e tanto!
2) O peso fica melhor distribuído, o que implica em menor esforço de parte da mulher para carregar a criança. Isso é possível porque o acessório tem pontos de apoio nos ombros e costas.
3) Os babyslings oferecem segurança. Além dos presos por argolas, há os fechados com velcro. De toda maneira, os pais precisam verificar o estado da costura e do tecido.
4) Entre os cuidados a tomar, é necessário observar sempre para que o pano não cubra o rosto do bebê. Não é aconselhável colocar objetos dentro. Tomar cuidado quando transportar a criança, segurando-a ao se inclinar para frente.
5) Vale lembrar que o babysling não é adequado para andar de bicicleta. No carro, o correto é levar a criança na cadeirinha presa ao banco.
6) Como orientação geral, convém evitar o uso do babysling por longos períodos. Fazer alguns alongamentos antes e depois de pegar o bebê ajuda a diminuir o cansaço. Além disso, sempre é bom tomar cuidado na hora de levantar ou colocar a criança no berço. Os joelhos flexionados ajudam a diminuir o impacto do peso sobre a coluna.
Na história recente, os ocidentais adaptaram as tais tipóias para carregar seus filhos. No Brasil dos anos 1960, estava na moda o canguru, que gerou polêmica porque muitos achavam que prejudicava o quadril, pois o bebê ficava de pernas abertas, como nos modelos mochila e dos antigos chineses. O babysling de agora tem mais a ver com o tipo usado pelos índios norte-americanos, chamado papoose, que deixa o bebê embrulhado como se fosse um “charutinho”. Ele leva vantagem em relação a estes outros modelos também porque as pernas do bebê se mantêm unidas, não alterando o desenvolvimento do quadril. O deslocamento do quadril pode ocorrer com o uso contínuo de carregadores de bebê que deixam as pernas abertas, como o do tipo cadeirinha. O babysling não aumenta a curvatura da coluna vertebral do bebê e não acarreta vícios de posição.
Pediatras e psicólogos ressaltam o benefício de se manter o bebê próximo ao corpo da mãe, dizendo que as crianças criadas assim choram menos. Eles atribuem ao “carregador de bebês” outras vantagens, como o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho e a criação de bebês mais relaxados. Alguém pode falar que o babsling deixa a criança muito dependente. Eu não penso assim. Acho que os filhos precisam mesmo do contato com a mãe.
Dr. Ravaglia – médico ordopedista
Fonte: Instituto Ortopedia e Saúde
Wrap Capulana

“Capulana (origem tsonga) é o nome que se dá, em Moçambique – África, a um pano que, tradicionalmente, é usado pelas mulheres para cingir o corpo, fazendo as vezes de saia, podendo ainda cobrir o tronco e a cabeça (e também para carregar os bebês).” (wikepédia)
A querida Fernanda, mãe do Benjamin, durante sua visita ao Brasil, trouxe lá de Moçambique 5 estampas exclusivas para Kika de Pano, confeccionadas em tecido 100% algodão..
E os panos agora estão disponíveis em nossa loja para confecção de wrap dupla-faces de encher os olhos.
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Bebês nas costas – A arte africana de carregar bebês, por Fernanda A. Pinto
“É comum ao meu dia-a-dia na África do Sul ver tantas mulheres carregarem seus filhos nas costas. Uma das primeiras memórias que tenho, desde que cheguei aqui há quatro anos, é de uma mulher no aeroporto, com o corpo inclinado pra frente, enrolando um bebêzinho de uns três meses nas costas com um cobertor. Eu observei, espantada, essa mulher apertar o cobertor em nós em frente ao peito e atar o bebê ao seu corpo com uma destreza impressionante. Tendo concluído o processo, e com as mãos livres, ela agarrou duas maletas e saiu com pressa pro saguão de embarque, balançando aquele pacotinho nenê nas costas.

Eu viria essa cena uma centena de vezes por aqui. Eu não obviamente não desconfiava que viria a casar aqui e ter meu filho anos depois, e que essas cenas influenciariam minha maneira de pensar meu corpo, o do meu filho, e nas relações entre eles. Eu continuo observando o carregar nas costas com um certo espanto; não por ser uma curiosidade ‘exótica’, mas uma tradição das populações nativas africanas; eu continuo a questionar não só minhas noções de maternidade/paternidade, mas também – e sobretudo – de infância. Os bebês-nas-costas participam ativamente da vida social: eles são visíveis como parte essencial do próprio corpo da mãe, eles estão no supermercado, nas ruas, nos shoppings, estão na igreja, vão pra cozinha, andam no sol e às vezes pegam chuva. Os bebês-nas-costas são bebês que sentem cheiros, que ouvem o coração da mãe bater e o sentem quase como se fossem o seu. Os bebês-nas-costas observam – e eu sempre os pego observando – o mundo de um ponto de vista privilegiado, eles avaliam a paisagem na segurança daquele pequeno embrulho, e as mães continuam fazendo suas coisas com eles sentadinhos ali.
Esses bebês me impressionam porque eu os vejo confidentes e tranquilos, eu nunca os vejo chorando, batendo braços ou fazendo chilique pra mãe comprar Toddyinho. E ainda assim eles têm tanta vida! Eles compõe o corpo da mãe, a materialidade do ‘corpo de mãe’ que eu viria a encaranar. Eu passei a ver o meu corpo como uma memória corporal do meu filho, um lugar de referência social que é mais que mero aparato biológico, que é uma espécie de moradia, uma casa, lugar morno e acolhedor de onde aprendemos a olhar o mundo e nossas experiências nele. Pensar o lugar do corpo da mãe/bebê é pensar o corpo da mulher e da criança na vida social, essa corporeidade da criança muitas vezes relegadas aos Barneys e Backyardigans, e privada de toques, de respiração, de cheiros que compõe nossa memória afetiva e sensorial.
Na África do Sul, como em tantos “terceiros mundos”, as noções de ‘primitivo’, de ‘selvagem’, de ‘tradicional’ em oposição ao ‘civilizado’, ao ‘moderno’, encontra inúmeros problemas. Eu acredito que a proximidade física, o contato constante entre corpo da mãe (e do pai!) e do bebê, permite a criação de uma intimidade quase ontológica, de um reconhecimento dos limites do corpo, de um compartilhar de experiências sensorias na vida social que o carrinho, e sua suposta “praticidade”, ignoram. Se os bebês-nas-costas (ou do lado, ou na frente) serão adultos mais fortes, belos e inteligentes, isso já é outra história, e certamente impossível argumentar. Não estou empenhada em defender fórmulas de como criar bebês ou do que é ser mãe/pai. O que me interessa mesmo é me dar esse prazer, essa comunicação, esse entendimento que parece tornar sagrado o aqui e agora, essa forma especial de estar tão próximo a alguém, tão presente. E essa intimidade, essa beleza que a África do Sul tornou banal e corriqueira, é uma de suas características mais inspiradoras.”
Fernanda Pinto de Almeida é mestranda em Psicologia na África do Sul e interessada nas relações de raça/gênero em saúde mental e políticas públicas. Tem orgulho de ser mãe do Benjamin, usuária de sling, mas apesar de todo esforço e dedicação ainda não dominou a arte africana de carregar bebês e cedeu este depoimento a nosso pedido para a entrevista da Beach&Co de maio de 2010.
Sling e Adoção
Ingrid van den Peereboom Extraído do livro “Peau à peau, technique et pratique du portage”, de Ingrid van den Peereboom, ed.: Jouvence. Tradução(espanhol) e fotos de Red Canguro.
Do Prazer e da Paz
O bebê cria um vínculo com seus pais através do tato, o primeiro sentido que chega à sua maturidade no útero de sua mãe, e também através da visão e dos demais sentidos. Observemos agora algumas situações que ilustram perfeitamente a riqueza que nos é oferecida ao carregar os bebês, além de suas vantagens práticas.
Porta-bebês e Adoção
No momento de uma adoção, ser carregado corpo-a-corpo constitui para o bebê e seus pais a ocasião de criar os vínculos fundamentais para o futuro de sua relação, de descobrir em si mesmos o instinto materno ou paterno e liberar ocitocina, a harmonia do amor. Mas no Ocidente, a relação mãe-filho não simboliza o porta-bebês. Pelo contrário, se acompanha de uma enorme quantidade de instrumentos de puericultura com, sua cabeça, o imponente, o majestoso, o maravilhoso carrinho. Seus lugar é tão importantes nas pesquisas européias que poucas pessoas podem conceber esta relação parental sem a correspondente panóplia, a coleção de acessórios. E no entanto, estes acessórios provocam e mantem a separação de forma assintomática. A longo prazo, é fundamental que o bebê e os pais estejam unidos com um forte vínculo. É necessário incentivar à qualquer custo esta esta relação vital. Uma das primeiras formas de consegui-lo é a proximidade pais-filhos. Vidal Starr Clay se interessou pelas relações táteis mãe-filho nos Estados Unidos: “A questão é saber se a quantidade e as formas de estimulação tátil e de contatos que as mães americanas oferecem a seus bebês e a seus filhos maiores correspondem com suas necessidades fisiológicas e emocionais”. “Devemos responder negativamente…” Clay constatou em várias ocasiões que o contato físico entre a mãe e os filhos de pouca idade (antes de adquirir a fala) revelam a miúdo a necessidade de dar cuidados e uma educação, mais que simplesmente expressar amor e afeição. As práticas impessoais de educação dos filhos que durante muito tempo estavam na moda nos Estados Unidos implicam em uma ruptura precoce dos vínculos mãe-filho e a separação da mãe e do filho por mamadeiras, roupas, mantas, carrinhos, berços e outros objetos materiais”.
Qualquer que seja o nascimento e a história de uma criança, não é suficiente manter um modo distante para que se tenham laços mais íntimos. O tipo de relação é determinante para o vínculo em formação. O contato em movimento e as numerosas sensações que lhe permitem realizar intercambios favorecem a relação, a cura, o alívio das tensóes ligadas tanto à história do bebê quanto à dos pais inférteis. Levar em um porta-bebês é uma prática que favorece os vínculos pai-filho e o apego do bebê pelas pessoas que o amam e as que ele ama, melhor do que com objetos à sua volta.
A colaboração de uma organização belga de ajuda à adoção nos têm capacitado à avaliar de certa maneira a importância do moisés ou do carrinho para os novos pais. Depois de terem sido privados da gravidez, após o reencontro com o bebê, começam a utilizar o carrinho, símbolo da expressão da maternidade fincada no Ocidente há um século. Em vista do reencontro com seu filho adotado, os pais invertem, pois, é um incrível carrinho. Este bebê não tem o corpo de um recém-nascido, se alimenta de sólidos e brinca de forma autônoma. Aprendeu a não pedir demais o contato.

Eugénie fue portada por su madre biológica en paño africano y ahora ella disfruta llevando a ratos a su hermano Bernat.
Geneviève, responsável por esta organização, e mãe adotiva, orienta aos pais a cuidar de seus filhos de um ano ou mais como se fossem recém-nascidos, a levá-los sobre a barriga favorecendo o apego. Lhes sugere permitir a eles mesmos e a seus pequenos uma “gestação reparadora” por meio de um sling resistente e envolvente: o wrap. Carregar seus filhos pode permitir-lhes conhecer verdadeiramente, ancorar este novo amor em seus respectivos corpos (a associação pele-a-pele dá ferramentas para aprender a carregar) (1). O bebê rejeitará, talvez, em um primeiro momento a rpoteger-se de forma aconchegante no corpo do portador e conseguir isso pode levar um tempo.
Mas o reencontro é possível. Geneviève nos dá dicas sobre o papel de carregar o bebê no processo de adoção: “O essencial de carregar o bebê que devemos destacar no momento da adoção é a criação de vínculos. [...] Muitos pais subestimam a primitiva ferida do filho adotado. Se existe adoção, existe abandono. Separado de sua mãe biológica, depois nas instituições onde podem encontrar a força pra sobreviver, a criança tem um grande sofrimento, está desarmado e profundamente magoado. A mudança deve ser segura, e para isso devemos dar-lhe o suporte necessário. É essencial tempo, amor e sobre tudo, muita paciência.
Às vezes é muito difícil para os pais viver os primeiros dias, ou meses, com um filho adotado. Uma filiação por adoção não é uma filiação biológica. Os pais estão muitas vezes em condições difíceis, longe de tudo, longe deles, em um ambiente raramente bom para a acolhida de um bebê. Em três minutos, colocamos uma criança em seus braços, e a criança geralmente não está em ótimas condições de higiêne, comparadas às nossas (cheiro, piolhos, doenças de pele), às vezes estão também doentes [...] Uma criança adotada tem necessidade de voltar, de retroceder para consolidar novamente seus alicerces. Tem a necessidade de reviver com seus pais adotivos as etapas perdidas. Necessita sentir novamente o calor e a intimidade para descobrir um estado de bem-estar. Estes gestos de maternidade e paternidade são os gestos construtores que estimulam as partes mais instintivas e primitivas do cérebro. Está provado que responder à estas necessidades acalmará as feridas. Carregar a criança permitirá à ele sentir-se confiante em uma maternidade primária e favorecerá o contato visual, o olhar é essencial na construção do binômio (mãe-filho/pai-fiho).
Às vezes é difícil para alguns pais começarem a carregar seus filhos. A adoção chega pouco depois de muitos fracassos e lutas dolorosos. “As mães não confiam em si mesmas, têm o desejo de se misturarem à “massa”, e, como todas, sonham com o carrinho que finalmente poderão utilizar.”
Geneviève me ensinou que estas crianças têm antes de tudo a necessidade de serem levados envoltos, de frente para seus pais, como recém-nascidos, ainda que tenham um ou dois anos e que possam andar por si mesmos no momento de encontro, a fim de que nasça o laço (vínculo) que dá gosto à vida destas crianças sem raízes.
O apego pode nascer no olhar que o pai coloca sobre seu filho, independente da criança. Este olhar forma parte das necessidades essenciais no desenvolver da criança: a necessidade de se olharem, através do olhar de seus pais.
Vejo aqui um vínculo com o trabalho de Édith Thoueille. Puericultora do Instituto de Puericultura de Paris, ensina à mães com deficiência visual grave a dar uma olhar sobre seus filhos. Sim, elas não podem vê-los, eles sim, têm a felicidade de ver sua mãe olhá-los. Elas aprendem a girar seu rosto, fazendo seus filhos seguir, sendo seu espelho.
(1)na Espanha, Red Canguro organiza palestras deste tipo.
Traduzido do site da Red Canguro por: Andreza Espi.
Traducido del original en inglés por Red Canguro.
Acerca de Red Canguro:
La Red Canguro, Asociación Española por el Fomento del Uso de Portabebés, es una asociación sin ánimo de lucro que se estableció en noviembre de 2008 con los fines de fomentar el uso de portabebés entre madres y padres y cualquier persona interesada, difundir información relacionada, servir de contacto y apoyo a personas que deseen iniciarse en el mundo de los portabebés, alentar el encuentro e intercambio de información y experiencias entre personas usuarias de los mismos, aumentar el nivel de conocimientos sobre el porteo de bebés en castellano y fomentar y difundir la crianza con apego. Para más información sobre estos temas, visita: http://www.redcanguro.org



