Tudo sobre colo

Saltos de desenvolvimento

(Pouco se fala neste fator que interfere e MUITO no dia-a-dia dos bebês e em como se alimentam e dormem. Nestes períodos é comum os pediatras recomendarem complementar a alimentação ou utilizar outros artifícios. Porém, a única solução para esses dias mais difíceis é paciência, tranquilidade, amamentação em livre demanda e MUITO COLINHO! Existe um grupo muito bacana no orkut que auxilia as mamães, chama-se “Soluções para noites sem choro” e é de lá esse texto a seguir.)

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A importância do colo – O conceito de continuum

A antropóloga americana Jean Liedloff estudou a tribo venezuelana dos Yequana e defende que para conseguir um desenvolvimento físico, mental e emocional ótimo, o ser humano e especialmente um bebê, necessita o tipo de experiências às quais a nossa espécie se adaptou durante uma longa evolução. Para uma criança são: constante contato físico com seu cuidador desde o nascimento, dormir com os pais até deixar de fazê-lo por vontade própria, amamentação a livre demanda, ser levado constantemente nos braços ou de maneira que possa observar a atividade do adulto, ter cuidadores que respondam aos seus sinais imediatamente sem julgá-la e finalmente, sentir que cumpre as expectativas dos pais, que é bem-vindo e digno. Segundo Liedloff, as crianças cujas necessidades “continuum” forem satisfeitas crescerão com maior auto-estima e serão mais independentes.

Nos dois anos e meio que morei entre os índios da idade da pedra na selva sul-americana – não consecutivos, mas sim em cinco expedições distintas com muito tempo entre elas para refletir – cheguei a compreender que a natureza humana não é o que nos fizeram acreditar. Os bebês da tribo Yequana, longe de precisarem de paz e tranquilidade para dormir, tiravam uma soneca tranquilinhos enquanto os homens, mulheres ou crianças que os carregavam dançavam, corriam, andavam ou gritavam. Todas as crianças brincavam juntas sem brigar ou discutir e obedeciam aos mais velhos no mesmo instante e de bom grado.

A essa gente, nunca lhes passou pela cabeça a idéia de castigar uma criança e, no entanto, seu comportamento não deixa entrever permissividade nenhuma. Nenhum moleque faz escândalo, interrompe os outros ou espera que um adulto lhe mime. Aos quatro anos, contribuíam mais com as tarefas do lar que davam trabalho elas mesmas.

Os bebês nos braços quase nunca choravam e era fascinante comprovar que não agitavam os braços e as pernas, não arqueavam as costas nem flexionavam as mãos e os pés. Permaneciam sentados nos slings ou dormiam encostados nos quadris do seu cuidador, desmentindo deste modo a crença de que os bebês precisam mover-se e flexionar as extremidades para exercitar-se. Também observei que não regurgitavam a não ser que estivessem muito doentes e que também não tinham cólicas. Quando se assustavam nos primeiros meses de engatinhar, não esperavam que ninguém acudisse correndo, ao invés disso, iam sozinhos em direção à mãe ou cuidador em busca dessa sensação de segurança antes de seguir com suas explorações. Inclusive sem supervisão, nem os menorzinhos se machucavam.

Será que sua natureza humana é diferente da nossa? Algumas pessoas assim o creem, mas evidentemente só existe uma espécie humana. Que podemos aprender, então, da tribo Yequana?

Antes de tudo, podemos tentar compreender o poder educativo do que eu chamo da “fase do colo”, que começa no momento do nascimento e termina quando o bebê começa a mover-se, quando pode afastar-se do seu cuidador e voltar quando queira. Essa fase consiste, simplesmente, em que o bebê tenha contato físico durante as 24 horas com um adulto ou criança mais velha.

A princípio, vi que essa experiência tinha um efeito extraordinariamente benéfico para os bebês, que não eram tão difíceis de tratar. Seus suaves corpinhos se adaptavam a qualquer postura que fosse cômoda para quem o levasse. Em contraposição a esse exemplo, vemos a incomodidade dos bebês que, com sumo cuidado, dormem no berço ou no carrinho. Bem agasalhados, se encontram lá jogados e rígidos, com o desejo de abrigar-se a um corpo vivo e em movimento: o lugar que lhes corresponde por natureza. Um corpo, em definitivo, que pertence a alguém que acreditará no seu choro e aliviará o seu anseio com braços afetuosos.

Por quê nossa sociedade é tão incompetente? Desde a infância, nos ensinam a não acreditar nos nossos instintos. Condicionados para desconfiar do que sentimos, nos persuadem para que não acreditemos no choro de um bebê que diz: “ Me pega no colo!”, “Quero estar com você!”, “Não me deixe!”. Em lugar disso, recusamos a idéia da resposta natural e seguimos os preceitos da moda que são ditados pelos “especialistas” no cuidado infantil. A perda da fé em nossa experiência inata nos leva a pular de um livro a outro, à medida que vão fracassando todas e cada uma das modas passageiras.

É essencial entender quem são os verdadeiros especialistas. O segundo especialista em cuidado de bebês reside no nosso interior, assim como em cada ser vivo que, por definição, deve saber como cuidar de sua cria. É claro que o maior especialista é o próprio bebê, programado durante milhões de anos de evolução para demonstrar seu temperamento com sons e gestos quando gosta do cuidado que recebe. A evolução é um processo de perfeição que “afinou” nosso comportamento com uma precisão magnífica. O sinal do bebê, a compreensão deste por parte dos que o rodeiam e o impulso a obedecê-la formam parte do caráter da nossa espécie. Nosso intelecto presunçoso demonstrou-se mal preparado para advinhar as autênticas necessidades do bebê. A pergunta costuma ser: “Devo pegar o bebê quando chora?”, “Devo deixar chorar um pouco antes de pegâ-lo?” ou “Deveria deixar que chore para que saiba quem manda e não se torne um tirano?”.

Nenhum bebê concordará com essas imposições. De forma unânime nos fazem saber através de gestos e sinais que não querem que lhes façamos dormir e lhes ponhamos no carrinho. Como essa opção não foi muito defendida na civilização ocidental atual, a relação entre pais e filhos acabou marcada por essa confrontação.

O jogo se centrou em como fazer o bebê dormir no berço, mas nunca se debateu se é preciso respeitar ou não o choro do bebê. Apesar de que o livro de Tine Thevenin, The Family Bed (A Cama Familiar), entre outros, abriu a brecha com o tema de que as crianças durmam com seus pais, não se abordou com claridade suficiente o princípio mais importante: “Atuar contra a natureza como espécie conduz irremediavelmente à perda do bem-estar”.

Então, uma vez que compreendamos e aceitemos o princípio de respeitar as expectativas inatas, poderemos descobrir com exatidão quais são essas expectativas. Em outras palavras, saberemos o que é que a evolução nos acostumou a experimentar e sentir.

A Função Educativa

Como cheguei à conclusão de quão importante é a fase do colo para o desenvolvimento de uma pessoa? A primeira coisa que vi foi como era feliz essa gente nas florestas da América do Sul com seus bebês penduradinhos no corpo e, pouco a pouco, fui relacionando esse fato tão simples com a qualidade de vida. Mais tarde, cheguei a certas conclusões a respeito de como e por quê é essencial o contato contínuo com o cuidador na fase pós-natal do desenvolvimento.

Por um lado, parece que a pessoa que carrega o bebê (normalmente a mãe durante os primeiros meses e depois uma criança de 4 a 12 anos que devolve o bebê à mãe para que esta lhe dê de comer) está servindo de base para as experiências posteriores. O bebê participa passivamente nas corridas, passeios, risadas, bate-papos, tarefas e brincadeiras do cuidador que o carrega. As atividades, o ritmo, as inflexões de linguagem, a variedade de vistas, noite e dia, a variação de temperatura, secura e humidade, além dos sons da vida em comunidade, formam a base para a participação ativa que começará aos seis ou oito meses, com o arrasto, a engatinhada e depois o passo. Um bebê que passou todo esse tempo deitado no berço, olhando o interior de um carrinho ou o céu, terá perdido a maior parte dessa experiência essencial.

Devido à necessidade que a criança tem de participar, é muito importante que os cuidadores não fiquem olhando pra ele ou perguntando constantemente o que querem, mas sim que deixem que eles mesmos tenham vidas ativas. De vez em quando, não podemos resistir a dar-lhes um monte de beijos, no entanto, uma criança que está acostumada a ver passar a vida agitada que levamos se confunde e se frustra quando nos dedicamos a contemplar como ele vive a sua. Um bebê que não fez mais que contemplar a vida que vivemos, se submerge na confusão se lhe pedimos que seja ele quem a dirija.

Parece que ninguém se deu conta da segunda função essencial da experiência da fase do colo, inclusive eu mesma, até meados da década de 60. Esta experiência dota os bebês de um mecanismo de descarga do excesso de energia que não são capazes de fazer por si mesmos. Nos meses anteriores a poder mover-se sozinhos, acumulam energia mediante a absorção do alimento e a luz solar. É então quando o bebê necessita o contato constante com o campo energético de uma pessoa ativa que possa descarregar o excesso de energia que nenhum dos dois utiliza. Isso explica porque os bebês Yequana estavam tão relaxados e porque não ficavam rígidos, davam chutes ou arqueavam as costas.

Para oferecer uma experiência ótima nesta etapa temos que aprender a descarregar nossa energia de maneira eficaz. Podemos acalmar mais rapidamente um bebê correndo com ele, dançando ou fazendo o que seja para eliminar o excesso de energia próprio. Uma mãe ou pai que tem que sair de repente para buscar alguma coisa não precisa dizer: ”Fica com o bebê que vou correndo até a loja”. O que tenha que sair que leve o bebê. Quanto mais ação, melhor.

Bebês e adultos experimentam tensões quando a circulação de energia nos seus músculos não flui bem. Um bebê cheio de energia acumulada não descarregada está pedindo ação: uma volta pela sala dando pulinhos ou uma dança agitada. O campo de energia do bebê aproveitará imediatamente essa descarga do adulto. Os bebês não são as pessoinhas frágeis que costumamos tratar com luvas de seda. De fato, se neste estágio de formação tratamos a um bebê como se fosse frágil, acabará acreditando que é fraco de verdade.

Como pais, podemos conseguir a destreza para comprender o fluxo de energia do nosso filho. No processo, descobriremos muitas mais maneiras de ajudá-lo a manter o suave tônus muscular do bem-estar ancestral e de proporcionar-lhe a calma e o conforto que necessita para sentir-se confortável nesse mundo.

Leitura:
- Continuum Concept, The – Liedloff, Jean. Perseus Books (1986).

revista espanhola Tu Bebé, número 188.

http://www.continuum-concept.org/

Tradução: Bel Kock-Allaman
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Como tratar as cólicas

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O Toque e a teoria da Exterogestação

Se levarmos em conta a nossa origem e a importância do toque, podemos até afirmar que somos todos carentes e mal amados. Somos filhos do AMOR e nascemos para viver em comunidade. Mas, a necessidade do toque, não é só por isso.
Para entendermos melhor, vamos voltar um pouco no passado e tentar compreender porque tanto sacrifício nosso e de nossa mãe nos últimos minutos que antecederam nosso nascimento.
Nossa gestação na verdade, ao que indicam os estudos, não parece estar completada dentro do útero até os 266 dias e 12 horas, quando devemos nascer (UTEROGESTAÇÃO).

A mãe natureza se encarrega desta tarefa, devido ao tamanho do nosso cérebro que levaria o crânio a dimensões impossíveis de permitir um nascimento por parto normal no final da gestação. Este final se dá por volta dos nove meses depois do nascimento, quando se encerra o período da gestação fora do útero (EXTEROGESTAÇÃO). Devido a imaturidade, todo o sofrimento provocado pelas contrações do útero, são na verdade massagens necessárias para ativar os intestinos, vias respiratórias, circulação sangüínea e tudo mais que permite nossa sobrevivência saudável.

Observe a mamãe gata e mamãe cadela com seus filhotes. Quantas lambidas que interpretamos como sendo limpeza. Note bem os pontos mais lambidos. Abdome (intestinos), órgãos genitais (necessidades fisiológicas) e o peito (tórax, vias respiratórias). Mas, também lambe por todo o corpo ativando sensibilidades e circulação sangüínea.

Nos animais, cujo trabalho de parto é muito rápido a a contração do útero é pouca, se fazem necessárias essas massagens (lambidas) para garantir a sobrevivência do filhote. Tanto que, se separarmos um filhote de sua mamãe logo após o nascimento sem compensar essas carícias (massagens), mesmo sendo bem alimentado, fatalmente morrerá com problemas intestinais, respiratórios, dificuldades para evacuar, urinar e outras.

Nós humanos aprendemos muita coisa errada mesmo antes do desenvolvimento completo do feto, o que torna difícil de compreender certas atitudes em pessoas que aparentemente são normais, mas respondem a condicionamentos inconscientes, fazendo coisas anormais.

Devemos ter um cuidado especial com nossos bebês durante os primeiros nove meses de vida. A importância de mamar não é somente pelas substâncias apropriadas do leite materno, e sim pelo carinho e aconchego que acontece naturalmente no relacionamento dos envolvidos nesse ato.

Atenção: Os bebês nascidos de cesariana antes de ter ocorrido um trabalho de parto, deverão ser tratados de forma diferenciada, ou seja, com massagens especiais e muito carinho, sob pena de terem que enfrentar os problemas citados anteriormente, durante e depois do crescimento.

A PELE é na verdade o MAIOR ÓRGÃO do nosso corpo e atua também como um grande sensor ativando tudo e todo o organismo. Se não recebemos durante o nosso desenvolvimento, toques e carinhos de forma adequada, fatalmente teremos que enfrentar mais tarde problemas de relacionamento pessoal e até de saúde.

Uma mixagem com textos do Livro “O Toque” de Ashley Montagu da Summus Editorial.
http://www.motivacao.org/
por: Egídio Garcia Coelho

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Dr. Karp e os 5 passos para acalmar o bebê

O Quarto Trimestre que Falta na Gestação

A teoria do Dr. Karp baseia-se no fato de que os recém-nascidos humanos não são como os de outros mamíferos, que já são capazes de caminhar e correr no primeiro dia de vida. Nossos RN’s são “imaturos”, mais parecidos com fetos que com bebês mais velhos, já que passam a maior parte do tempo dormindo e alimentando-se.

Os RN’s humanos seriam imaturos porque nossa sobrevivência depende de cérebros grandes, então eles são “expulsos” do útero antes de estarem completamente prontos, porque a cabeça de um bebê de 3 meses de idade não passaria no canal de parto.

Nos primeiros 3 meses de vida, o bebê é tão imaturo que realmente seria benéfico a ele que voltasse para o útero sempre que a vida aqui fora estivesse difícil. Como não somos cangurus, o que podemos fazer é tornar o ambiente extra-útero o mais parecido possível com o intra-uterino.

Como é lá no útero ?

O bebê no útero fica apertadinho, na posição fetal, envolvido por uma parede uterina morninha, sendo balançado para frente e para trás a maior parte do tempo. Ele também estava ouvindo constantemente um barulho “shhhh shhhh”, mais alto que o de um aspirador de pó (o coração e os intestinos da mãe).

A reprodução das condições do ambiente uterino leva a uma resposta neurológica profunda “o reflexo calmante”.

Da mesma forma que o martelinho no joelho só leva ao reflexo de levantar a perna se o médico bater no local específico, os métodos para acalmar o bebê só funcionam se forem feitos da forma correta. Quando aplicados corretamente, os sons e sensações do útero têm um efeito tão poderoso que podem relaxar um bebê no meio de uma crise de choro.

10 Maneiras de Reproduzir o Ambiente Uterino

1. Segurar o bebê
2. Dançar com o bebê
3. Embalar o bebê
4. Embrulhar o bebê bem apertadinho
5. Ligar um barulho contínuo (shh shh) ou cantar
6. Passear no carro
7. Caminhar com o bebê
8. Amamentar
9. Dar ao bebê algo para sugar
10. Colocar o bebê num balanço

Os 5 S para Acalmar um Bebê até 3 Meses

Os 5 métodos para acalmar um bebê até 3 meses de idade são extremamente eficazes SOMENTE quando executados corretamente. Sem a técnica correta e o vigor necessário, não adiantam em nada.

1. Swaddling (embrulhar o bebê apertadinho)

A pele é o maior órgão do corpo humano e o toque é o mais calmante dos cinco sentidos. Embrulhadinho, o bebê recebe um carinho suave. Bebês alimentados mas nunca tocados freqüentemente adoecem e morrem. Estar embrulhadinho não é tão bom quanto estar no colo da mãe, mas é um ótimo substituto para quando a mãe não está por perto.

Bebês podem ser embrulhados assim que nascem. Apertadinhos, de forma que não mexam os braços. Eles se sentem confortáveis, “de volta ao útero”. Bebês mais agitados precisam mais de ser embrulhados, outros são tão calmos que não precisam.

Se o bebê tem dificuldade para pegar no sono, pode ser embrulhado apertadinho, não é seguro colocar um bebê para dormir com um cueiro solto.

Não permita que o cueiro encoste no rosto do bebê. Se estiver encostando, o bebê vai virar o rosto procurando o peito, ao invés de relaxar.

Todos os bebês precisam de tempo para espreguiçar, tomar banho, ganhar uma massagem. 12-20 horas por dia embrulhadinho não é muito para um bebê que passava 24 horas por dia apertadinho no útero. Depois de 1 ou 2 meses, você pode reduzir o tempo, principalmente com bebês tranqüilos e calmos

2. Side/Stomach (posição de lado)

“Quanto mais nervoso seu bebê estiver, pior ele fica quando colocado sobre as costas. Antes de nascer, seu bebê nunca ficou deitado de costas. Ele passava a maior parte do tempo na posição fetal: cabeça para baixo, coluna encolhida, joelhos contra a barriga. Até adultos, quando em perigo, inconscientemente escolhem esta posição.

Segurar o bebê de lado ou com a barriga tocando os braços do adulto ajuda a acalmá-lo (a cabeça fica na mão do adulto, o bumbum encostado na dobra do cotovelo do adulto, com braços e pernas livres, pendurados). Carregar o bebê num sling, com a coluna curvada, encolhidinho e virado de lado, tem o mesmo efeito. Em muitas culturas os bebês passam 24 horas por dia pendurados às mães (em algumas dessas culturas não há sequer uma palavra para designar “cólica do recém-nascido).

Atualmente especialistas são unânimes em dizer que bebês NÃO DEVEM SER POSTOS PARA DORMIR DE BRUÇOS, pelo risco de morte súbita.

O bebê não sente falta de ficar de cabeça para baixo, como no útero, porque na verdade o útero é cheio de fluido e o bebê flutua, como se não tivesse peso algum. Do lado de fora, sem poder flutuar, virado de cabeça para baixo, a pressão do sangue na cabeça é desconfortável.”

3. Shhhh Shhhh – O som favorito do bebê

“O som “shhh shhh” é parte de quem somos, tanto que até adultos acham o som das ondas do mar relaxante.

Para bebês novinhos, “shhh” é o som do silêncio. Ele estava acostumado a ouvir tal som 24 horas por dia, tão alto quanto um aspirador de pó. Imagine o choque de um bebê acostumado a tal som chegando a um mundo onde as pessoas cochicham e caminham na ponta dos pés, tentando fazer silêncio !

Coloque sua boca 10-20 cm de distância dos ouvidos do bebê e faça “shhh”, “shhh”. Aumente o volume do “shh” até ficar tão alto quanto o choro do bebê. Pode parecer rude tentar “calar” um bebê choroso fazendo “shh”, mas para o bebê, é o som do que lhe é familiar.

Na primeira vez fazendo “shhh”, seu bebê deve calar pós uns 2 minutos. Com a prática, você será capaz de acalmar o bebê em poucos segundos. É ótimo ensinar isso aos irmãos mais velhos, que adorarão poder ajudar e acalmar o bebê.

Para substituir o “shhh”, pode-se ligar:
- secador de cabelos ou aspirador de pó
- som de ventilador ou exaustor
- som de água corrente
- um CD com som de ondas do mar
- um brinquedo que tenha sons de batimentos cardíacos
- rádio fora de estação ou babá eletrônica fora de sintonia
- secadora de roupas ligada com uma bola de tênis dentro
- máquina de lavar louças

O barulho do carro ligado também acalma a criança.

4. Swinging – Balançar

“A vida era tão rica no útero. Rica em sons e barulhos. Mas a maior parte era movimento. Movimento contínuo. Quando a mãe senta, levanta, caminha e vira o corpo – movimento, movimento, movimento.”
(Frederick Leboyer, Loving Hands)

Quando pensamos nos 5 sentidos – visão, audição, tato, paladar e olfato – geralmente esquecemos o sexto sentido. Não é intuição, mas a sensação de movimento no espaço.

Movimento rítmico ou balanço é uma forma poderosa de acalmar bebês (e adultos). Quem não se lembra de adormecer quase de forma hipnótica como movimento de uma rede ou de um trem ? Por que tais movimentos trazem um relaxamento tão profundo ? Porque o balanço imita o movimento que o bebê sentia no útero materno e ativa as sensações de “movimento” dentro dos ouvidos, que por sua vez ativam o reflexo de acalmar.

Como balançar ?
1. Carregando o bebê num “sling” ou canguru;
2. Dançando (movimentos de cima para baixo);
3. Colocando o bebê num balanço;
4. Dando tapinhas rítmicos no bumbum ou nas costas;
5. Colocando o bebê na rede;
6. Balançando numa cadeira de balanço;
7. Passeando de carro;
8. Colocando o bebê em cadeirinhas vibratórias (próprias para isso);
9. Sentando com o bebê numa bola inflável de ginástica e balançando de cima para baixo com ele no colo;
10. Caminhando bem rapidamente com o bebê no colo.

A diferença entre balançar e sacudir

“O ato de sacudir podendo causar a síndrome do bebê sacudido (shaken baby syndrome) é tão violento que pessoas observando a situação podem reconhecer como perigoso e capaz de matar a criança” (Academia Americana de Pediatria, Julho 2001)

Quando balançar o bebê, seus movimentos devem rápidos mas curtos. A cabeça do bebê não fica sacudindo freneticamente. A cabeça move no máximo 2-5 cm de um lado para o outro. A cabeça está sempre alinhada com o corpo e não há perigo de o corpo mover-se numa direção e cabeça abruptamente ir na direção oposta.

5. Sugar – a cobertura do bolo

Agira que seu filho irrequieto começou a se acalmar com as quatro primeiras etapas, ele já está pronto para a quinta e gloriosa fase: sugar. Trata-se da cobertura do “bolo da calma”, pois induz a criança, que já está mais tranqüila, a alcançar um estágio de profunda tranqüilidade.
Obviamente, é mais difícil para seu filho gritar com uma chupeta na boca, mas não é por essa razão que sugar tem um efeito calmante. Na verdade, esse ato afeta o sistema nervoso infantil, aciona o reflexo calmante e libera substâncias naturais no cérebro, que provocam, em questão de minutos, um alto nível de relaxamento e satisfação.
Alguns pais dão aos filhos mamadeiras ou chupetas, mas em qualquer lugar do mundo e em qualquer época, o brinquedo favorito de sucção é o bico do seio da mãe. Como já mencionamos, em algumas sociedades, para tranqüilizar os bebês, as mães oferecem o seio quase cem vezes por dia

Em resumo, as duas primeiras etapas – embrulhar e colocar de lado/de bruços – iniciam o processo de apaziguamento ao impedir que braços e pernas se agitem, ao “desligar” o reflexo de Moro e ao ajudar o bebê a se concentrar em você à medida que o reflexo calmante começa a ser ativado. A terceira e quarta etapas – fazer só… e balançar – interrompem o ciclo do choro ao ativar o reflexo calmante e tranqüilizar o sistema nervoso da criança. A quinta etapa – sugar – mantém o reflexo atuando e permite que o bebê consiga relaxar profundamente.
As cinco etapas são recursos fantásticos, mas como qualquer ferramenta, a habilidade de usá-las aumenta com a pratica. Uma vez que o reflexo só funciona se acionado na ordem correta, você vai descobrir que dominar essa técnica antiga é a primeira tarefa importante da maternidade.
Interessante notar que não só os pais melhoram com a pratica, mas também os bebês. Muitos pais percebem que, depois de algumas semanas embrulhando-os com firmeza, os bebês começam a esticar os braços e a se acalmar no instante em que são postos sobre o cobertor. É como se eles dissessem “eu me lembro, eu gosto disso”.
Você pode ler sobre as cinco etapas e pensar: o que há de novo? Esses procedimentos são conhecidos há séculos. E você estaria parcialmente certa. As etapas em si não são novas; a novidade, entretanto, são os dois conceitos essenciais que as tornam realmente eficazes: a vigor e a combinação entre elas.

Bebês pequenos e separação das mães

A preocupação das mães ao verem seus bebezinhos requerem contato contínuo com elas, quase que 24 horas por dia, e não entenderem porque disso ou receberem conselhos contrários a atender suas necessidades, é muito frequente.
Veja o que diz Dr. Sunderland:

Quando muito pequenos, os bebês não suportam a separação das suas mães. É impossível para seu cérebro em desenvolvimento entender que a mãe, longe do seu campo visual, continua existindo. Aos poucos, com o desenvolvimento cerebral e as experiências de ida-e-vinda da mãe, ele se torna capaz de manter a mãe viva mesmo sem poder vê-la.
Ele desenvolve a noção de permanência, ao mesmo tempo que adquire capacidade de maternar-se. Ele desenvolve uma série de comportamentos que simbolizam sua mãe, e a faz presente na ausência. Logo seu medo e angústia diante da separação cede lugar à certeza que não há qualquer perigo.

Esses sistemas de medo e angústia de separação se tornam muito menos sensíveis com o tempo, por causa do desenvolvimento do cérebro que começa naturalmente a inibi-los.Ou seja, quando as crianças compreendem racionalmente que não há qualquer perigo, que os pais estão no quarto ao lado e que, se precisarem, eles virão ao seu encontro, são capazes de dormir sozinhas sem chorar e sem os chamar se não houver qualquer problema, embora às vezes seu instinto continue a dizer-Ihes outra coisa. (Fonte: Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006). )

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