Tudo sobre costas

Palestras Gratuitas: Feira do Bebê, Gestante e Criança em Santos – SP

De 23 a 27 de fevereiro de 2011, acontece em Santos (SP) mais uma Feira da Gestante, Bebê e Criança.
Nesta edição, além das mamães & papais encontrarem tudo para enxoval do bebê, roupinhas, acessórios, para todos os gostos e mil cores, a Clínica Mar Saúde, terá um Espaço para Palestras. Gestantes, casais “grávidos” e mamães recentes poderão saber mais sobre Shantala, Yoga Pré-Natal, Dores nas Costas, Sling e Doula e nos dias 26 e 27 um curso bacanérrimo para Gestantes (porque toda informação é sempre bem-vinda, né?).

Dia 24/02 às 19h30′ (QUINTA-FEIRA), estarei lá, convidada pela Adriana, da Namaskar Yoga, para compartilhar minha experiência com slings, tirar dúvidas e falar um pouco sobre esse acessório tão simples e que aproxima pais & bebês (há séculos!) numa deliciosa extero-gestação.

Se você ainda não tem sling, poderá adquirir lá mesmo o Kika de Pano, se você tem e não consegue usar o seu (seja ele wrap ou não) leve consigo, para tirar suas dúvidas e já sair de lá slingando!

Para participar, basta enviar sua inscrição para marsaude@marsaude.com.br

Nos vemos lá!

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Dia 24, a palestra foi muito especial! Muitas mães interessadas no sling e todo mundo que passou por ali parou uns instantes para matar a curiosidade. Infelizmente, a máquina fotográfica quebrou e não consegui salvar nenhuma foto!
Mas, para alegria geral, fomos novamente no dia 26, para o curso de gestante e seguem fotos para registrar o momento!

Obrigada a todos da Clínica MarSaúde, a Adriana da NamasKar Yoga e a todas as mamães e papais que participaram do evento! E também ao maridão e a filhota que estão sempre juntos nesta aventura!

Bruna
março/2011

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Babysling: opção para carregar bebês

As dores nas costas são uma reclamação frequente entre as mães. No período de dois anos desde a gravidez até o bebê andar, muitas mulheres sofrem com dores na coluna. As transformações do corpo para abrir espaço para o desenvolvimento do feto no útero durante a gestação incluem a movimentação dos ossos da coluna. Após o parto, ainda com os ossos voltando a seus lugares, a mãe entra na maratona de carregar o bebê.

Para diminuir o peso que sobrecarrega a coluna, diferentes povos buscam soluções. Há milhares de anos, africanas, indianas, japonesas, chinesas e índias nativas da América do Norte prendem os bebês de diversas maneiras a seus corpos para transportá-los ou para mantê-los próximos durante a execução de trabalhos domésticos ou da lida na lavoura.
Outras soluções foram criadas para mamães – e mesmo papais –, mas muitas vezes inadequadas. Em recente viagem que fiz aos Estados Unidos, notei que existe uma forte tendência ao uso de babysling, uma faixa de tecido de cerca de dois metros de comprimento por um de largura, que se ajusta ao corpo do adulto. O acessório é unanimidade quando se fala em praticidade: além de deixar as mãos das mamães sempre livres, mantém os bebês pequenos confortavelmente deitados.

Veja as principais vantagens do babysling:

1) A proximidade permite que os bebês escutem os batimentos cardíacos da mãe, como se ainda estivessem no aconchego do útero. É um colinho e tanto!

2) O peso fica melhor distribuído, o que implica em menor esforço de parte da mulher para carregar a criança. Isso é possível porque o acessório tem pontos de apoio nos ombros e costas.

3) Os babyslings oferecem segurança. Além dos presos por argolas, há os fechados com velcro. De toda maneira, os pais precisam verificar o estado da costura e do tecido.

4) Entre os cuidados a tomar, é necessário observar sempre para que o pano não cubra o rosto do bebê. Não é aconselhável colocar objetos dentro. Tomar cuidado quando transportar a criança, segurando-a ao se inclinar para frente.

5) Vale lembrar que o babysling não é adequado para andar de bicicleta. No carro, o correto é levar a criança na cadeirinha presa ao banco.

6) Como orientação geral, convém evitar o uso do babysling por longos períodos. Fazer alguns alongamentos antes e depois de pegar o bebê ajuda a diminuir o cansaço. Além disso, sempre é bom tomar cuidado na hora de levantar ou colocar a criança no berço. Os joelhos flexionados ajudam a diminuir o impacto do peso sobre a coluna.

Na história recente, os ocidentais adaptaram as tais tipóias para carregar seus filhos. No Brasil dos anos 1960, estava na moda o canguru, que gerou polêmica porque muitos achavam que prejudicava o quadril, pois o bebê ficava de pernas abertas, como nos modelos mochila e dos antigos chineses. O babysling de agora tem mais a ver com o tipo usado pelos índios norte-americanos, chamado papoose, que deixa o bebê embrulhado como se fosse um “charutinho”. Ele leva vantagem em relação a estes outros modelos também porque as pernas do bebê se mantêm unidas, não alterando o desenvolvimento do quadril. O deslocamento do quadril pode ocorrer com o uso contínuo de carregadores de bebê que deixam as pernas abertas, como o do tipo cadeirinha. O babysling não aumenta a curvatura da coluna vertebral do bebê e não acarreta vícios de posição.

Pediatras e psicólogos ressaltam o benefício de se manter o bebê próximo ao corpo da mãe, dizendo que as crianças criadas assim choram menos. Eles atribuem ao “carregador de bebês” outras vantagens, como o fortalecimento do vínculo entre mãe e filho e a criação de bebês mais relaxados. Alguém pode falar que o babsling deixa a criança muito dependente. Eu não penso assim. Acho que os filhos precisam mesmo do contato com a mãe.

Dr. Ravaglia – médico ordopedista

Fonte: Instituto Ortopedia e Saúde

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Bebês nas costas – A arte africana de carregar bebês, por Fernanda A. Pinto

“É comum ao meu dia-a-dia na África do Sul ver tantas mulheres carregarem seus filhos nas costas. Uma das primeiras memórias que tenho, desde que cheguei aqui há quatro anos, é de uma mulher no aeroporto, com o corpo inclinado pra frente, enrolando um bebêzinho de uns três meses nas costas com um cobertor. Eu observei, espantada, essa mulher apertar o cobertor em nós em frente ao peito e atar o bebê ao seu corpo com uma destreza impressionante. Tendo concluído o processo, e com as mãos livres, ela agarrou duas maletas e saiu com pressa pro saguão de embarque, balançando aquele pacotinho nenê nas costas.

Eu viria essa cena uma centena de vezes por aqui. Eu não obviamente não desconfiava que viria a casar aqui e ter meu filho anos depois, e que essas cenas influenciariam minha maneira de pensar meu corpo, o do meu filho, e nas relações entre eles. Eu continuo observando o carregar nas costas com um certo espanto; não por ser uma curiosidade ‘exótica’, mas uma tradição das populações nativas africanas; eu continuo a questionar não só minhas noções de maternidade/paternidade, mas também – e sobretudo – de infância. Os bebês-nas-costas participam ativamente da vida social: eles são visíveis como parte essencial do próprio corpo da mãe, eles estão no supermercado, nas ruas, nos shoppings, estão na igreja, vão pra cozinha, andam no sol e às vezes pegam chuva. Os bebês-nas-costas são bebês que sentem cheiros, que ouvem o coração da mãe bater e o sentem quase como se fossem o seu. Os bebês-nas-costas observam – e eu sempre os pego observando – o mundo de um ponto de vista privilegiado, eles avaliam a paisagem na segurança daquele pequeno embrulho, e as mães continuam fazendo suas coisas com eles sentadinhos ali.

Esses bebês me impressionam porque eu os vejo confidentes e tranquilos, eu nunca os vejo chorando, batendo braços ou fazendo chilique pra mãe comprar Toddyinho. E ainda assim eles têm tanta vida! Eles compõe o corpo da mãe, a materialidade do ‘corpo de mãe’ que eu viria a encaranar. Eu passei a ver o meu corpo como uma memória corporal do meu filho, um lugar de referência social que é mais que mero aparato biológico, que é uma espécie de moradia, uma casa, lugar morno e acolhedor de onde aprendemos a olhar o mundo e nossas experiências nele. Pensar o lugar do corpo da mãe/bebê é pensar o corpo da mulher e da criança na vida social, essa corporeidade da criança muitas vezes relegadas aos Barneys e Backyardigans, e privada de toques, de respiração, de cheiros que compõe nossa memória afetiva e sensorial.

Na África do Sul, como em tantos “terceiros mundos”, as noções de ‘primitivo’, de ‘selvagem’, de ‘tradicional’ em oposição ao ‘civilizado’, ao ‘moderno’, encontra inúmeros problemas. Eu acredito que a proximidade física, o contato constante entre corpo da mãe (e do pai!) e do bebê, permite a criação de uma intimidade quase ontológica, de um reconhecimento dos limites do corpo, de um compartilhar de experiências sensorias na vida social que o carrinho, e sua suposta “praticidade”, ignoram. Se os bebês-nas-costas (ou do lado, ou na frente) serão adultos mais fortes, belos e inteligentes, isso já é outra história, e certamente impossível argumentar. Não estou empenhada em defender fórmulas de como criar bebês ou do que é ser mãe/pai. O que me interessa mesmo é me dar esse prazer, essa comunicação, esse entendimento que parece tornar sagrado o aqui e agora, essa forma especial de estar tão próximo a alguém, tão presente. E essa intimidade, essa beleza que a África do Sul tornou banal e corriqueira, é uma de suas características mais inspiradoras.”

Fernanda Pinto de Almeida é mestranda em Psicologia na África do Sul e interessada nas relações de raça/gênero em saúde mental e políticas públicas. Tem orgulho de ser mãe do Benjamin, usuária de sling, mas apesar de todo esforço e dedicação ainda não dominou a arte africana de carregar bebês e cedeu este depoimento a nosso pedido para a entrevista da Beach&Co de maio de 2010.

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