Tudo sobre desmame
Desmame Natural (é possível?)
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
Elsa Regina Justo Giugliani*
*Pediatra, professora da Faculdade de Medicina da UFRGS, presidente do Departamento de Aleitamento Materno da SBP, Especialista em Aleitamento Materno pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners)
O homem é o único mamífero em que o desmame (aqui definido como a cessação do aleitamento materno) não é primariamente determinado por fatores genéticos e instinto, sendo fortemente influenciado por fatores socioculturais. Hoje, ao contrário do que ocorreu por pelo menos dois milhões de anos, ao longo da evolução da espécie humana, a mulher opta (ou não) pela amamentação e, influenciada por múltiplos fatores, decide por quanto tempo vai (ou pode) amamentar. Muitas vezes, as preferências culturais (não amamentação, introdução precoce de outros alimentos na dieta da criança, amamentação de curta duração) entram em conflito com a expectativa da espécie. Algumas conseqüências dessa divergência já puderam ser observadas, como desnutrição e alta mortalidade infantis, sobretudo em áreas menos desenvolvidas. Porém, as conseqüências a longo prazo ainda não são totalmente conhecidas, já que transformações genéticas não ocorrem com a rapidez com que podem ocorrer mudanças de hábitos. Começam a ser mostradas evidências de que o não amamentar segundo as expectativas da espécie pode ter repercussões negativas ao longo da vida dos indivíduos. Assim, a não amamentação ou amamentação sub-ótima pode favorecer o aparecimento de doenças alérgicas, diversas doenças do sistema imunológico, alguns tipos de cânceres, obesidade, diabete e doenças cardiovasculares, além de interferir negativamente no desenvolvimento oro-facial. Provavelmente, com o aparecimento de novas pesquisas nessa área, outros males serão relacionados com os hábitos “modernos” de alimentação infantil, mas alguns aspectos dificilmente podem ser quantificados, especialmente os relacionados com a psique humana.
Atualmente, em especial nas sociedades ocidentais, a amamentação é vista primordialmente como uma forma de alimentar a criança, sob o controle total dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, complexo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, além de repercussões para a saúde física e psíquica da mãe. Hoje, em muitas culturas “modernas”, a amamentação prolongada (cujo conceito varia de acordo com a “convenção” da época e do local) freqüentemente é vista como um distúrbio inter-relacional entre mãe e bebê. Perdeu-se a noção de que o desmame não é um evento e sim um processo, que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, assim como nenhuma criança começa a andar antes de estar pronta, nenhuma criança deveria ser desmamada antes de atingir a maturidade para tal. Em harmonia com esta linha de pensamento, Dr. William Sears, um antigo pediatra, recomendava “Não limite a duração da amamentação a um período pré-determinado. Siga os sinais do bebê. A vida é uma série de desmames, do útero, do seio, de casa para a escola, da escola para o trabalho. Quando uma criança é forçada a entrar em um estágio antes de estar pronta, corre o risco de afetar o seu desenvolvimento emocional”. Essas palavras sábias podem ter pouco respaldo em sociedades individualistas, que tendem a acelerar o processo de independização do ser humano, substituindo o seio por métodos de auto-consolo como chupetas, paninhos, mantinhas, ursinhos, etc.
Segundo diversas teorias, o período natural de amamentação para a espécie humana seria de 2,5 a sete anos. Atualmente, a Organização Mundial da Saúde recomenda aleitamento materno por dois anos ou mais, sendo exclusivo nos primeiros seis meses. Apesar dessa recomendação, muito poucas mulheres no Brasil amamentam por mais de dois anos. As razões para a não amamentação prolongada variam desde dificuldade em conciliar a amamentação com outras atividades, até crença de que aleitamento materno além do primeiro ano é danoso para a criança sob o ponto de vista psicológico. Uma parcela de mães, apesar de demonstrar desejo em continuar a amamentação, sente-se pressionada a desmamar por profissionais de saúde, seus maridos, parentes, vizinhos e amigos. Pois, para a manutenção do paradigma que sustenta a afirmação de que amamentação prolongada não é natural, foi necessário criar vários mitos tais como o de que uma criança jamais desmama por si própria, que a amamentação prolongada é um sinal de problema sexual ou necessidade materna e não da criança e que a criança que mama fica muito dependente. Algumas mães, de fato, desmamam para promover a independência da criança. No entanto, é importante lembrar que o desmame provavelmente não vai mudar a personalidade da criança. Além disso, o desmame forçado pode gerar insegurança na criança, o que dificulta o processo de independização.
O desmame pode ser agrupado em quatro categorias básicas: abrupto, planejado ou gradual, parcial e natural. Sob a ótica de que o desmame é um processo de desenvolvimento da criança, parece razoável afirmar que o ideal seria que ele ocorresse naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal. No desmame natural a criança se auto-desmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como por exemplo em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui). A mãe também participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. O Quadro 1 apresenta os sinais indicativos de que criança pode estar pronta para iniciar o desmame:
Quadro 1. Sinais sugestivos de que a criança está madura para o desmame
• Idade maior que um ano
• Menos interesse nas mamadas
• Aceita variedade de outros alimentos
• É segura na sua relação com a mãe
• Aceita outras formas de consolo
• Aceita não ser amamentada em certas ocasiões e locais
• Às vezes dorme sem mamar no peito
• Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar
• Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe ao invés de mamar
É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê. Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta. Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias.
Algumas vantagens do desmame natural encontram-se no Quadro 2:
Quadro 2. Vantagens do desmame natural
• Transição tranqüila, menos estressante para a mãe e a criança
• Preenche as necessidades da criança até elas estarem maduras para o desmame
• Fortalece a relação mãe-filho
• Ajuda a mãe a ser menos ansiosa com relação aos estágios de desenvolvimento de seu filho
O desmame abrupto é desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitada pela mãe, gerando insegurança e muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, bloqueio de ducto lactífero e mastite, além de tristeza ou depressão, por luto pela perda da amamentação ou por mudanças hormonais.
Muitas vezes a mulher se depara com a situação de querer ou ter que desmamar antes de a criança estar pronta. Nesses casos, o profissional de saúde, em especial o pediatra, deve respeitar o desejo da mãe e ajudá-la nesse processo. O quadro 3 apresenta os fatores que facilitam o encorajamento do bebê para o desmame.
Quadro 3. Encorajando o bebê a desmamar: facilitadores
• Mãe segura de que quer (ou deve) desmamar
• Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança
• Flexibilidade, pois o curso é imprevisível
• Paciência (dar tempo à criança) e compreensão
• Suporte e atenção adicionais à criança – mãe não deve se afastar neste período
• Ausência de outras mudanças ocorrendo: Ex.: controle dos esficteres
• Sempre que possível, desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada 1-2 semanas.
A técnica utilizada para fazer a criança desmamar varia de acordo com a idade da mesma. Se a criança for maior, o desmame pode ser planejado com ela. Pode-se propor uma data, oferecer uma recompensa e até mesmo uma festa. A mãe pode começar não oferecendo o seio, mas também não recusando. Pode também encurtar as mamadas e adiá-las. Mamadas podem ser suprimidas distraindo a criança com brincadeiras, chamando amiguinhos, entretendo a criança com algo que lhe prenda a atenção. A participação do pai no processo, sempre que possível, é importante. A mãe pode também evitar certas atitudes que estimulam a criança a mamar, por exemplo, não sentar na poltrona em que costuma amamentar.
Algumas vezes, o desmame forçado gera tanta ansiedade na mãe e no bebê, que é preferível adiar um pouco mais o processo, se possível. A mãe pode, também, optar por restringir as mamadas a certos horários e locais.
As mulheres devem estar preparadas para as mudanças físicas e emocionais que o desmame pode desencadear, tais como: mudança de tamanho das mamas, mudança de peso e sentimentos diversos tais como alívio, paz, tristeza, depressão, culpa e arrependimento.
Já se avançou muito na valorização do aleitamento materno nos últimos tempos. A recomendação da duração da amamentação passou de 10 meses na década de 30 para dois anos ou mais nos dias de hoje. Atualmente, fala-se em desmame natural como a forma ideal de desmame, sem especificar uma idade mínima ou máxima para que esse processo ocorra. Apesar desse avanço ainda estamos longe de encararmos o desmame como um marco do desenvolvimento da criança. Para chegarmos a este estágio, faz-se necessário entender e enfrentar as circunstâncias que, segundo Souza e Almeida, “ultrapassam a natureza e desafiam a cultura e a sociedade”.
Confusão de Bicos Artifíciais, por Dr. Carlos Gonzalez
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
“Todo mundo sabe que quando os bebês se acostumam à mamadeira podem acabar deixando o peito. Muitas mães dizem: enjoou o peito. A explicação mais popular é que como a mamadeira é mais fácil, se tornam preguiçosos e não querem se esforçar com o peito.
Mas isso não é certo. A mamadeira não é mais fácil. Vários estudos, tanto em bebês prematuros como em bebês com graves deformações cardíacas, demostram que a frequência cardíaca e respiratória e o nível de oxigênio no sangue se mantem mais estáveis quando mamam no peito que quando tomam uma mamadeira. Os bebês nascem para mamar, seus músculos e reflexos estão especialmente desenhados para isso, enquanto que tomar uma mamadeira requer uma aprendizagem específica.
O problema não é que seja mais fácil ou mais difícil, se não que é diferente. O leite que há de ordenhar do peito, exceto as poucas gotas que saem só, e para isso a língua tem que empurrar ritmicamente até atrás. Além de ordenhar o leite, este movimento tende a introduzir o peito cada vez mais na boca, o que a sua vez permite ao bebê mamar melhor. Da mamadeira, ao contrário, o leite sai só, o bebê deve conseguir impedir que saia para poder engolir o que já tem na boca. Com a mamadeira, a língua se move ritmicamente até a frente. Este movimento tende a sacar a mamadeira fora da boca. Para impedir isso, todos os bicos artificiais do mundo se alargam na ponta, formando uma espécie de bola (para impedir que aqueles saiam da boca). Detrás dessa bola, o bico fica estreito, para que o bebê possa tomar a mamadeira com a boca quase fechada, se abrisse tanto a boca como para tomar o peito, de nada lhe serviria a bola, e a mamadeira se escaparia de uma forma ou de outra.
Alguns bebês maiores alternam sem nenhum problema peito e mamadeira (ou chupeta), fazem cada vez os movimentos precisos com a língua e com os lábios. Mas nas primeiras semanas são muitos os que se confundem, se tomam bem um e não aprendem com o outro. Durantes os primeiros dias, muitas mães dizem: todo o tempo está pedindo peito, mas não existe forma de que pegue a chupeta. (todo o tempo significa aqui antes de três horas) e muitas outras exclamam: não quer mamar e não entendo o que passa, porque todo o tempo está chupando a chupeta (e claro, a típica explicação: não quer o peito porque não sai nada, não é válida; nunca saiu nada de uma chupeta, e bem que a chupam).
A primeira vez que lhe dão uma mamadeira ao um recém-nascido (por exemplo, quando em meio de uma noite alguém decide lhe dar uma mamadeira para que não despertar a mãe), muitas vezes, o bebê não a quer. Aparte de que o leite sai raro e o bico também, e está duro e tem uma forma estranha, quando tentar mamar como se fosse o peito, o leite sai a tal velocidade que se engasga. O bebê expulsa o bico, cuspindo e chorando. Mas a enfermeira continua insistindo. A enfermeira carinhosa fala: “não é nada, esta menina tão esperta vai tomar o seu leitinho”, a enfermeira mal humorada fala: “visto que está bem de fazer palhaçada”, mas as duas insistem. Depois de uns segundos de angústia a bebê descobre que fazendo assim ou assado com a língua não se engasga. “Muito bem, vê que fácil? Fala uma enfermeira, “vê como era historia?” ,fala a outra.
Horas mais tarde, quando levam o recém-nascido com a sua mãe, penso o que mais tarde dirá cem vezes: “olha, mamãe, olha que sei fazer! Tenta fazer com o peito o que acaba de aprender com a mamadeira, empurrando com a língua. Surpresa e consternação, o peite sai da sua boca. Porque os peito não tem bola, todos os peitos do mundo acabam em ponta.
“ Me repeli o peito, chorando”, fala a atribulada mãe. Exausta depois do parto, em pleno furacão hormonal, presa da tristeza pós-parto (mais leve, mas muito mais frequente que a depressão), a mãe em realidade está dizendo: “me repeli o peito. Chorando”. Se sente rejeitada pelo próprio filho. É possível cair mais abaixo? “Não se preocupe” já se ajeitará, fala a enfermeira carinhosa. “Claro, porque você não tem leite”, fala a enfermeira mal humorada. Levam o bebê e lhe dão uma outra mamadeira. É o princípio do fim.
Alguns médicos insistem em que a confusão de bicos não existe, e em que dar uma ou várias mamadeiras ao recém-nascido não prejudica para nada a lactância materna. O certo é que não existem provas experimentais, porque para isso havia que dar-lhes mamadeiras a propósito a um grupo de bebês, escolhidos ao azar, para ver o que passa. Os que acreditam que isso não é mal, não se dão ao trabalho de fazer o estudo, os que acreditam que sim, que é mal, pensou que não seria ético fazer um estudo assim.
“Que mais dá que exista ou não exista?” Pensará o leitor, ante a dúvida, melhor não dar-lhe mamadeira e pronto. Pois parece que alguns dos que não acreditam na confusão recomendam dar-lhes a todos os bebês de peito uma mamadeira a cada semana, como mínimo, para que se acostumem. Porque se não, quando a mãe volte a trabalhar, ou qualquer outro motivo tenha que sair de casa, o bebê rechaçará a mamadeira. Vamos, que reconhecem que a confusão funciona ao menos em um sentido, e que o bebê que se acostuma ao peito logo rejeita a mamadeira.
Carlos González (2009). Comer, Amar, Amar. Madrid: Temasdehoy, p.288-291
Tradução: Sandra – Moderadora GVA
Idade Natural do Desmame
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
Por Katherine Dettwyler, PhD TRAD. Janaína de O. Ribeiro
Universidade do Texas A e M
Meu estudo se baseou nas diversas variáveis que se relacionam com a “história de vida” (tempo de gestação, peso ao nascer, taxa de crescimento, época em que acontece a maturidade sexual, idade de dentição, tempo de vida, etc.) em primatas não-humanos, e posteriormente observou-se como essas variáveis se correlacionam com a idade de desmame desses animais.
Trata-se dos nossos parentes mais próximos no reino animal, especialmente os gorilas e os chipanzés, que compartilham 98% dos genes humanos. Elaborei uma lista de previsões para quando os humanos efetuariam o desmame “natural” se não tivessem tantas normas culturais a esse respeito. Meu interesse surgiu a partir der uma leitura inter-cultural sobre a idade de desmame, que demonstra que diferentes culturas sustentam crenças bastante diversas sobre quando uma criança deve ser desmamada, desde muito cedo nos E.U.A. até muito tarde em alguns lugares.
É comum escutar que a idade média de desleitamento em todo mundo seja de 4.2 anos, porém este número não é nem exato, nem significativo. Um levantamento de 64 estudos “tradicionais” realizado antes dos anos 40 demonstrou uma duração média de amamentação de 2 anos e 8 meses, mas, com algumas culturas desmamando muito mais cedo, e outras bem mais tarde. É sem sentido, estatisticamente, falar de uma idade média de desaleitamento mundial, quando muitas crianças nem chegam a ser amamentadas, ou, suas mães desistem nos primeiros dias, ou, nas 6 semanas quando retornam ao trabalho. É verdade que ainda existem muitas sociedades onde as crianças são amamentadas rotineiramente até os quatro ou cinco anos, ou mais, e até mesmo nos Estados Unidos, algumas crianças são amamentadas por esse período, e algumas por períodos mais longos. Nas sociedades em que é permitido às crianças serem amamentadas no peito “até quando quiserem”, elas geralmente desmamam por si próprias, sem discussões ou traumas emocionais, entre os três e os quatro anos de idade. Esse interesse também surgiu da percepção que outros animais possuem uma idade “natural” de desmame, cerca de 8 semanas para os cachorros, de 8 a 12 meses para os cavalos, etc. Presume-se que esses animais não detenham crenças culturais sobre quando o desmame seria apropriado.
Alguns dos resultados são como segue:
1. Em um grupo de 21 espécies de primatas não-humanos (macacos e gorilas) estudados por Holly Smith, ela verificou que a prole era desleitada ao mesmo tempo em que apareciam seus primeiros molares permanentes. Nos humanos, isso aconteceria entre 5.5- 6 anos de idade.
2. É comum os pediatras afirmarem que a duração da gestação é aproximadamente igual à duração da amamentação em muitas espécies, sugerindo uma idade de desmame aos 9 meses para os humanos. No entanto, essa relação acaba por ser afetada pelo tamanho dos animais – quanto maiores os adultos, maior a duração da amamentação em relação à gestação. Para os chipanzés e os gorilas, os dois primatas mais próximos aos humanos em tamanho e na genética, a relação é seis para 1. Querendo dizer que elas amamentam sua prole por 6 vezes a duração da gestação ( de fato 6.1 para os chipanzés e 6.4 para os gorilas; com os humanos ficando na metade do caminho entre esses dois). Nos humanos, a relação seria: 4.5 anos de amamentação (seis vezes os nove meses da gestação).
3. É comum os pediatras afirmarem que a maioria dos mamíferos desmama sua prole quando esta atinge o triplo do seu peso de nascimento, sugerindo uma idade de desmame a 1 ano de idade nos humanos. Porém, novamente, essa conta é afetada pelo peso corporal, com mamíferos maiores amamentando sua prole até que esta tenha quadruplicado o peso com que nasceu. Nos humanos, o quádruplo do peso do nascimento é atingido aos 2.5 e 3.5 anos de idade, geralmente.
4. Um estudo dos primatas revelou que suas crias eram desmamadas quando atingiam cerca de 1/3 do seu peso na idade adulta. Isso acontece para os humanos entre os 5 e os 7 anos de idade.
5. Uma comparação entre a idade de desmame e a maturidade sexual em primatas não-humanos sugere uma idade de desmame entre os 6-7 para os humanos (por volta da metade do caminho para a maturidade reprodutiva).
6. Estudos demonstraram que o sistema imunológico de uma criança não completa sua maturidade até cerca dos 6 anos de idade, e é bem estabelecido que o leite materno ajuda a desenvolver o sistema imunológico e melhorá-lo com anticorpos maternos enquanto o leite materno for produzido (até os dois anos, nenhum estudo foi realizado sobre a composição do leite materno mais de dois anos após o parto).
Assim, a idade mínima esperada para o desmame natural nos humanos é de dois anos e meio, com um máximo de 7 anos.
Em termos dos benefícios da amamentação duradoura já existe um número de estudos comparando bebês amamentados no peito e bebês amamentados através de mamadeira com relação a diversas enfermidades, e também relacionando os resultados do exame de QI. Em todos os casos, os bebês amamentados no peito apresentaram um risco menor de doenças e resultados de QI superiores aos dos bebês amamentados por mamadeira. Naqueles estudos que classificavam bebês amamentados no peito pela duração da amamentação, os bebês que foram amamentados por mais tempo se sobressaíram tanto em termos de menor incidência de doenças, como apresentaram um resultado de QI superior. Em outras palavras, se as categorias fossem 0-6 meses de amamentação, 6-12 meses, 12-18 meses, 18-24+ meses, os últimos se saíram melhor, e as de 12-18 meses de amamentação foram os próximos melhores, e os bebês amamentados de 0-6 apresentaram os piores resultados entre os bebês amamentados no peito, mas, ainda se saíram muito melhor do que os grupos amamentados por mamadeira. Isto tem se demonstrado através de distúrbios gastrointestinais, afetação do sistema respiratório superior, escleroses múltiplas, diabetes, doenças do coração, e assim por diante. Da mesma forma, os bebês que foram amamentados no peito por mais tempo atingiram os melhores resultados nos exames de QI. Um ponto a se observar é que nenhum desses estudos foi realizado com crianças que tivessem sido amamentadas mais de 2 anos. Qualquer um amamentado entre 18-24 meses ou mais, foi aglomerado na grande categoria. Presume-se que os benefícios continuem a acontecer, já que o seu corpo não *sabe* que o bebê fez aniversário passando a produzir leite menos valioso nutricional e imunologicamente.
No entanto, ainda não foi comprovado nem que os benefícios da amamentação no peito continuam nem que cessam aos 2 anos de idade, por que os estudos apropriadas ainda não foram realizados. A tendência durante os primeiros dois anos é claramente que os benefícios aumentam quanto maior o tempo da amamentação. É evidente os benefícios do fenômeno de rendimento decrescente funcionando aqui – os primeiros seis meses de amamentação são claramente mais importantes em termos da nutrição e desenvolvimento do bebê do que os seis meses dos 3.5 aos 4 anos. Isso não significa que você não deve continuar a suprir leite materno se o seu bebê assim o quer e você também. Seria como dizer : – Bem Mabel, nós não recebemos mais tanto dinheiro daquele poço de petróleo. Antes eram R$ 56 por mês dos royalities , agora com sorte recebemos R$ 25 por ano. Acho que deveríamos dizer a eles para guardarem seu maldito dinheiro. E Mabel responde:- Santa Misericórdia, Clyde, não seja ridículo. Aquele cheque ainda compra R$ 25 de comida. Onde você está com a cabeça?
Sem dúvida, os bebês nascidos nos E.U.A não estão sujeitos a tantas doenças, parasitas, e água contaminada quanto os bebês dos países do Terceiro Mundo. Nós temos mais suplementos alimentares que de modo geral podemos confiar que sejam limpos e seguros. Podemos imunizar nossas crianças, e utilizar antibióticos para infecções, se necessário. O fato de nós *podermos* não significa que a amamentação seja insignificante. Bebês amamentados no peito ainda apresentam melhor saúde do que os amamentados por mamadeira, mesmo em ambientes exemplarmente limpos e com o melhor atendimento médico. Eles adoecem menos, são mais inteligentes, são mais felizes. Outra consideração importante para as crianças mais velhas, é que elas conseguem manter seu vínculo emocional ligado a outra pessoa, em vez de transferir a ligação para um objeto inanimado, como um ursinho ou um cobertor.
Acredito que este fato proporcione o cenário para uma vida orientada para pessoas, em vez do materialismo, e considero esse fator positivo. Também não consigo imaginar passar pelos primeiros anos de vida de uma criança sem aquela conexão amorosa à criança enquanto essa passa por enormes transformações, algumas até frustrantes. Eu poderia prosseguir indefinidamente, mas pararei aqui.
Espero que tenha contribuído com esse estudo. Essas idéias são desenvolvidas de maneira muito mais eloqüente e com maior riqueza de detalhes no meu capítulo “Tempo de Desmamar” no livro Breastfeeding: Biocultural Perspectives, sendo publicado por Aldine de Grutyer.
Preparado no dia 3 de agosto de 1995. Editado no dia 10 de fevereiro de 1997.
fonte: http://www.slingando.com
Greve de amamentação – “meu bebê não quer mais mamar!”
Por Bruna Leite Santana - Amamentação, Blog
“Como lidar com uma greve de amamentação?”
“Meu bebê de 7 meses parou de mamar de repente. Já fazem 2 dias que não quer pegar o peito, e também não quer mamadeira! Ouvi falar que isso é uma greve de amamentação. Como lidar com isso? Quero continuar a amamentá-lo ainda! ”
Greves de amamentação são muito comuns. Às vezes, são desencadeadas por algum evento traumático, mas podem também acontecer sem razão aparente. Pode parecer que o bebê está se desmamando, mas é muito raro um bebê desmamar por si só antes de 1 ano. Uma dica que o bebê não está tentando desmamar é se ele parece infeliz durante a greve, se ele pega o peito rapidamente, e então começa a chorar e se recusa a pegar o peito novamente. Você talvez não seja capaz de identificar a causa da greve, mas algumas possibilidades são:
• Evento traumático repentino – o mais comum é mãe gritando quando o bebê morde o peito, o que é algo comum e compreensível de acontecer.
• Estresse em casa
• Doenças como otite, congestão nasal severa
• Visitantes em casa
• Mudanças grandes no ambiente
Aqui algumas coisas que se pode fazer para encorajar o bebê a mamar novamente:
• Tente oferecer o peito à noite, ou durante uma soneca, quando o bebê começa a despertar, mas não está totalmente acordado ainda.
• Fique o maior tempo possível em contato pele com pele com seu bebê, sem especificamente tentar oferecer o peito.
• Tente amamentar em situações não usuais, como andando ou movendo-se em outra situação.
• Tente variar posições de amamentar.
Talvez você precise ordenhar para aliviar os peitos de ductos ingurgitados durante a greve. O bebê pode tomar esse leite no copinho.
Greves geralmente duram 2 a 4 dias, e quase nunca resultam em desmame definitivo.
Por Dr. Robert Sears
Original em http://askdrsears.com/faq/bf6.asp
Trecho pertinente de um texto da Dra. Elsa Giuliani em seu texto “Desmame, fatos e mitos”
É importante que a mãe não confunda o auto-desmame natural com a chamada “greve de amamentação” do bebê.
Esta ocorre principalmente em crianças menores de um ano, é de início súbito e inesperado, a criança parece insatisfeita e em geral é possível identificar uma causa: doença, dentição, diminuição do volume ou sabor do leite, estresse e excesso de mamadeira ou chupeta.
Essa condição usualmente não dura mais que 2-4 dias. Notem que a Dra. Elsa considera um aspecto a mais que contribui para a greve de amamentação, que é a DOR DE DENTINHOS nascendo.
Então ofereça alívio para as gengivas inchadas e doloridas, como mordedores gelados.
E siga as outras dicas do Dr. Sears.
Importante notar também que a greve de amamentação tem relação com desmame propriciado ou incentivado pelo uso de bicos artificiais.
Esse texto se refere basicamente à bebês que não os utilizam, e que portanto raramente se auto-desmamariam antes de 1 ano.
Mais sobre a greve de amamentação – Dr Sears
Alguns bebes “do nada” se recusam a mamar por vários dias, depois com um pouco de incentivo resumem sua rotina de amamentaçao prévia. Chamada de greve de mamar, esse comportamento normalmente é causado por incomodos físicos, como dentiçao, gripes, ou probleminhas emocionais (mudança de casa, doença na mãe, discórdia familiar, sindrome do ninho cheio – muitas visitas, muitos passeios, stress de final de ano, etc…
Nosso primeiro bebe, Jim, se recusou a amamentar depois de uma visita ao pronto socorro para tomar uns pontos na testa. Sendo pais jovens e sem experiencia, nós interpretamos isso como um sinal de que ele queria parar de mamar. Afinal, ele já tinha 8 meses, já comia sólidos, já bebia bem de um copinho, e naquela época, maioria dos bebes de 8 meses já estavam desmamados. Nós nao fizemos nada para incentiva-lo devolta ao seio. Hoje em dia sabemos que Jim estava numa greve de mamar.
Aqui está a fórmula de como lidar com um grevista. Em primeiro lugar, entenda que isso é uma perda de interesse temporária e não um sinal de que seu bebe está pronto pra parar de mamar. Raramente bebes com menos de 9 meses querem largar o peito. Tente identificar a possivel causa fisica ou emocional que causou a greve. Depois incentive seu filho a se interessar de novo pelo seio.
Finja que ele é novamente um recem nascido e voces estao comecando essa experiencia desde o primeiro dia. Temporariamente cancele ou delegue todas as tarefas que te obriguem a ficar distante do seu bebe. Explique a “greve” pro seu marido e familia, dizendo que vc precisa de alguns dias focando somente no seu bebe.
Tire o telefone do gancho, relaxe na poltrona de amamentaçao, tomem um banho de banheira juntos, coloque uma musica relaxante, e passe o máximo de tempo que puder apenas segurando seu bebe, pele com pele. Carregue ele no sling sempre que possível para mante-lo proximo do seio.
Amamentar antes das sonecas e na ultima mamada da noite também são jeitos comprovados de fazer com que seu bebe se interesse novamente. Bebes que resistem ao seio quando acordados, muitas vezes aceitam antes de cair no sono, ou mesmo dormindo. Fique agarrado com ele a noite, ou antes de dormir.
As vezes, recriando o ambiente da amamentação, os bebes são lembrados do que estão perdendo. Se o bebe continuar recusando o seio, não alimente ele a força. Deixe que ele adormeça, pele com pele, com a cabecinha dele apoiada no seu seio. Lembre que amamentar significa acalentar também, e não apenas alimentar. As vezes alguns bebes precisam passar por alguns dias de apenas serem segurados e confortados, antes de resumir a amamentação.
Uma greve de mamada pode ser uma mensagem de que o bebe quer renegociar o contrato mãe-bebe. Tente reviver o ambiente de mamadas que vocês tinham antes da greve: a posição favorita dele, a poltrona predileta, o local na casa, etc. Com mães criativas e conectadas, a greve costuma acabar dentro de alguns dias. Mas nós já vimos casos de bebes que não mamam por uma semana e depois resumem gradualmente. Essas mães insistiram, ficaram a total disposição, tiraram leite com a bombinha para manter o estoque, ofereceram leite no copinho, e seguiram sua intuição de que o bebe não estava pronto pra parar.
Se depois de todas essas negociações, o bebe não voltar ao seio, tenha a certeza de que isso realmente foi idéia dele, e ele está, de fato, pronto para passar ao próximo estagio. Não há espaço para arrependimentos, reconheça que seu bebe amadureceu um pouco antes e que foi muito bom pelo tempo de durou.




